8 de fevereiro de 2010

Podcast #2

Onde falamos, no meio da madrugada, com latas na boca, sobre o futebol esperado na Libertadores da América, damos algumas risadas e mandamos um abraço para Itajaí





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4 de fevereiro de 2010

Nada é simples no lado escuro da Lua

O Flaming Lips é certamente uma das bandas mais incompreendidas e intencionalmente incompreensíveis do rock atual. Não bastasse sua sonoridade única – que varia da psicodelia pura até o pop rock mais careta – os caras ainda emendam uns projetos inusitados, como essa tal regravação do mítico álbum "Dark Side of The Moon", originalmente lançado pelo Pink Floyd.

Para falar a verdade, não chega a ser uma ideia tão ousada assim. O Easy Star All-Stars, por exemplo, já tinha feito um tributo do DSoTM em versão dub. Uma mistura bizarra, mas com resultado final bem interessante (sem falar que é um convite irrecusável para quem curte viagens astrais sob efeito de aditivos).

Mas no caso do Flaming Lips, a homenagem merece maiores reflexões. Logo de cara, você saca que o barato não é normal. Pois não se trata somente de tocar músicas de outrem num estilo alternativo, mas de criar uma coisa completamente diferente em cima do material alheio. É como se tivessem feito um disco novo do Flaming Lips só que usando o "Dark Side" como referência – igual naqueles episódios de Dia das Bruxas dos Simpsons em que eles fazem sátiras de filmes usando o universo próprio do desenho como fio condutor. E isso acaba desvirtuando o sentido original da coisa e atribuindo-lhe um novo sentido, seja para fins cômicos, seja para inspirar um touche de genialidade (ou excentricidade).

É interessante como é óbvia essa ruptura que os caras fazem com o Pink Floyd, e isso se nota logo na primeira faixa. Lá você encontra, quase intocável, a introdução Speak to Me, com a batida do coração e o ruidoso silêncio que logo se converte em um barulho sibilante que premedita a música seguinte. Depois, isso aí vira uma tremenda zoação. A baladinha Breathe de repente vira um noise rock totalmente sujo perto da candura inebriante do original.

Em seguida, a faixa On The Run, uma música que já tinha uma pegada eletrônica, ganhou uma cara mais atual. Para falar a verdade, essa daí não tem nada a ver com a original. Só quem realmente manja de Dark Side vai sacar em alguns detalhes que constam na versão floydiana, como o som de helicóptero, o efeito na guitarra que simula um zunido de um carro de corrida e os samples com frases soltas, reinterpretadas à risca pelo músico e ator Henry Rollins. Talvez os mais puristas possam fazer birra deste remake.

Depois temos Time, que também sofreu algumas alterações. Primeiro foi a troca dos despertadores disparando por um alarme. Depois, uma mudança no tempo da música, que a tornou uma antitese do que fizeram com Breathe, já que tiraram aquela pegada mais pesada e deixaram soturno e minimalista. Para piorar, ainda perdeu o maravilhoso solo do David Gilmour.

Diferentemente, em The Great Gig in The Sky, eles adotaram um esquema mais conservador, estilo Libertadores, sem inventar muito. A mudança mais significativa foi a troca do arranjo de piano pela guitarra distorcida e o vocal a cargo da cantora Peaches.

Já em Money, a música mais conhecida do disco, os caras extraíram o famoso loop de dinheiro e apostaram na voz robotizada e algo que parece ser uma bateria eletrônica. Ficou com cara de música dos anos 80, o que foi uma péssima ideia, na minha opinião.

Mas os caras acertaram na belíssima Us and Them. Parece que a música caiu como uma luva para o Flaming Lips. Mesmo simples, os arranjos são bem legais e mostram o que a banda tem de melhor. Na sequência Any Colour You Like, eles resolveram não mudar muito também.

Em Brain Damage, eles apostaram no clima menos energético e mais denso, sendo que desta vez o resultado ficou bastante interessante. E, assim, o CD termina bem, mas sem brilho, com Eclipse.

Conhecendo bem o Flaming Lips, percebe-se que talvez os caras tenham reparado que não há como fazer um cover do Dark Side of The Moon ficar melhor do que o original. Para mim, o álbum é uma das maiores obras-primas já inventada pela música pop. Tentar superá-lo seria cair no vazio e fazer um remake modernoso, como tantos outros que já existem por aí, seria pouco para a mente efervescente da banda. Certamente eles devem ter apostado que o melhor era criar um barato tão inesperado e impactante quanto foi o DSoTM na época de seu lançamento, lá em 1973, e nesse quesito eles realmente mandaram bem – como sempre. Ou, então, eles fizeram isso só para chamar atenção do outro álbum que eles lançaram no ano passado, o Embryonic, e, de quebra, levar junto a parentada do Stardeath and White Dwarfs, que participaram da parte instrumental do tributo.

O fato é que se você for ouvir querendo comparar com o original, vai certamente quebrar a cara, pois a versão do Pink Floyd continua sendo disparada a melhor. Porém, se for ouvir pensando como mais uma  proposta diferente do Flaming Lips, a experiência é até respeitável, embora ainda fique aquém de outros álbuns deles, como o excelente "Yoshimi Battles the Pink Robots". "Dark Side" é o tipo de mestre que dificilmente perderá para seu discípulo.

31 de janeiro de 2010

Uma resenha sobre Lost que no caminho se tornou um olhar triste e realista da TV no Brasil

Em poucos dias estreia a última temporada de Lost. Sempre chamada de “fenômeno” na TV, gostaria de aproveitar a oportunidade para analisar o caso. A série é encarada de tal forma porque realmente foi um fenômeno, mas não para a audiência americana. Apesar de ter começado com uma média excelente, que aos poucos foi diminuindo, o que chama a atenção é o número de pessoas fora dos Estados Unidos que assiste quase que simultaneamente os episódios novos.

O fato de Lost ser pioneiro no entretenimento online pirateado gratuito não é o objetivo que os produtores queriam atingir com a série, mas devemos dar crédito ao produtor J.J. Abrams pela iniciativa ousada. Lá pelos tantos de 2004 alguém que ligasse a TV nos Estados Unidos no prime-time estaria ou em um hospital ou em uma cena de investigação criminal. Não estou dizendo que algumas dessas séries não são boas, mas não há como negar que existe uma falta de criatividade no contexto geral que só pode ser corrigida pelo protagonista (na minha opinião, os casos de House e talvez Scrubs). Então chega um cara e fala de uma série sobre uma ilha que ninguém sabe onde fica e cheia de coisas estranhas, que depois de constatado o “fenômeno”, passou a ter conteúdo exclusivo para internet, onde exploravam outros ângulos da trama. Enfim, isso é tão fora do limite criativo dos diretores de programação que Lost teve uma certa rejeição por parte dos executivos quando foi lançada.

Mas aí está, de novo, Lost. Talvez a estréia televisiva mais aguardada dos últimos tempos. Vai ser catástrofe no ciberespaço, todo mundo querendo baixar o episódio, deus salve o P2P e o diabo a quatro. Parece que a temporada não terá interrupções, lançando um episódio por semana. A verdade é a seguinte: Quando Lost acabar, J.J. Abrams terá se tornado o Midas da televisão. O que tiver de sci-fi misterioso com a assinatura dele será visto como ouro (prova disso é Cloverfield, um lixo, mas um lixo “do mesmo criador de Lost”). Então, é hora da lição:

O brasileiro vai algum dia se acostumar com séries ou estamos fadados ao novelístico? Novelas são o oposto de séries como Lost. São episódios diários, longos, com temas que beiram a mediocridade, e todo jornal popular no país tem uma coluna que conta o que vai acontecer no próximo episódio. Imagine se alguém abrisse uma página na internet e lesse “Jack tem licença médica cassada e Hurley morre durante lipoaspiração no próximo episódio de Lost”. A novela tem 260 episódios em que as pessoas sabem o que vai acontecer, e mais 6 em que se desvendam mistérios do tipo “quem fica com quem”, “quem é malvado e vira bonzinho” e “quem é o assassino”. Isso é subestimar o público.

Tá bom, não é. As pessoas assistem os 266 episódios mesmo sabendo o que vai acontecer. Essa é a parte triste. O Brasil poderia fazer séries como Lost. Nossas emissoras tem estrutura para fazer séries como nos EUA, o que é um feito incrível, visto que o cinema nacional, por exemplo, nunca vai sonhar chegar perto de Hollywood. Mas o povo não quer. O povo quer é novela mesmo.

19 de janeiro de 2010

E agora, mais filmes ruins

Estava em dúvidas sobre escrever este texto, tendo escrito há pouco um texto sobre filmes engraçados porém ruins e com um iminente podcast sobre os Oscars, mas a providência divina entrou no caminho. Primeiro o Golden Globe, depois uma conversa sobre bilheterias no Brasil e agora isso.

E a pergunta que não cala: Como definir um filme bom? A edição 274 da Revista Super Interessante publicou na coluna Respostas - "Qual a fórmula de sucesso dos blockbusters?", que o segredo está na "Saga do Herói", conceito de Joseph Campbell em O Poder do Mito sobre as etapas da jornada de evolução do personagem. Achei uma matéria muito infeliz. Se banalizarmos a Saga do Herói no mesmo nível da matéria, veremos que todos os personagens principais de todos os filmes que você assistiu passam por esse mesmo paradigma que eles criaram. Se analisarmos mensagens metafóricas, então, podem incluir até alguns pornôs na "fórmula de sucesso" descrita.

É uma matéria triste, mas nem por isso inútil. Dela podemos extrair duas perguntas:
1 - Se existe uma fórmula do sucesso, porque filmes fracassam?
2 - Se considerarmos "fórmula de sucesso" como "sucesso de arrecadação em bilheteria", porque os jornais ainda contratam críticos de cinema se o que interessa são os números?

Não cabe a mim responder a primeira pergunta. Onde quero chegar com a segunda? Em Avatar.
Assisti Avatar, em 3D, e o filme inteiro é clichê atrás de clichê. Se condições climáticas fossem tão previsíveis quanto o filme, ninguém morreria de chuva no Brasil. E filmes previsíveis são extremamente irritantes, principalmente pra quem está do meu lado, porque eu gosto de cantar a bola. "Olha, vai acontecer isso, vão fazer aquilo, vai aparecer o outro pra tentar te enganar, mas vai acabar daquele jeito mesmo". Posso dizer que o roteiro é fraco. A atuação, bem, vamos dizer que se alguém ganhar algum prêmio, vai ser o cara que desenvolveu e operou o software que gerou as cenas. Ainda assim, um filme 3D. Parabéns ao diretor, que "desenvolveu as câmeras 3D para gravar o filme". Parabéns é a caceta. Não existe um filme desse cara que eu olhe e fale "Puta filmão", T-2 é o que chega mais perto disso, e ainda fica atrás de muitos.

Agora, se for pra dar os parabéns para o cara pela publicidade que o filme ganhou, aí temos que admitir, esse cara é o melhor diretor do mundo. Quer dizer, ele tem as duas maiores bilheterias do mundo, e os dois filmes são um lixo. O problema é que são lixos com uma exposição gigante de mídia, porque tiveram custos muito altos e o cara segurou as pontas. Aí o curioso vai ver porque a porra do filme foi tão caro e descobre que foi caro porque o navio afundava de verdade na hora de gravar, o tanque de água era gigante e a camera 3D aparentemente funciona. Porra, o 3D existe desde a época que o Martin McFly voltou no tempo e quase trepou com a mãe dele. Não é a tecnologia do futuro no cinema, é a tecnologia do passado. Uma tecnologia do passado que só agora pode ser comercializada, só agora existe um jeito de lucrar com 3D. É um assunto tão comentado que não vai me surpreender se pintar por aí um 2 girls and a cup 3D também.

Fiquei surpreso com as críticas positivas que li. Mas que fiquem avisados aqueles que não asssistiram ao filme: Não é um filme bom. É um filme que está em evidência por causa de uma tecnologia que está em evidência. Prova disso é que no Brasil, onde não existem muitas salas 3D, Avatar foi ultrapassado por Alvin e os Esquilos 2.

Vale reforçar: Se você não foi assistir Avatar porque não era 3D, em 3D o filme continua a mesma merda, só que uma merda com profundidade. Se o mundo for justo em algum lugar de Los Angeles em março, Avatar não vai ganhar mais que um prêmio de efeitos especiais. Mas sabemos que não vai ser o caso.

15 de janeiro de 2010

Podcast #1

Onde discutimos, entre outras coisas, a finalidade de um Podcast no BcF.





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10 de janeiro de 2010

Saudades do Charlie

4:25am. Estou tentando dormir há uma hora. Ainda não consegui. Não que eu não esteja cansado, mas um bando de filhos da puta fazendo festa do lado de casa como se fosse final de Copa do Mundo com o Bahia campeão tende a prejudicar o sono. Não vou comentar todo tipo de escrotice musical que ecoou no meu ouvido nas últimas horas, mas garanto que qualquer pessoa que leia esse blog nunca ouvirá (por vontade própria) essa merda.

Sabem aqueles caras nos filmes de ação fazendo justiça com as próprias mãos? Eu queria que eles conhecessem um pouco a burocracia do Brasil e depois disso saíssem arregaçando tudo, porque se eles conhecessem, ia ser o dobro de sangue, o triplo de cabeça rolando e eu particularmente torceria por cinco vezes mais empalações.

Mas Steven Segall não vai resolver o meu problema com o som na vizinhança, Lindomar Sub-Zero provavelmente aderiria à festa, e Charles Bronson já morreu. Mas piora. Porque quem também não vai resolver meu problema é o PSIU.

Para fazer uma denúncia eu preciso obrigatoriamente informar o endereço exato de onde vem o barulho, o nome da empresa que o fabrica, além da área de atuação da empresa (entre as opções estão Academia, Bar e Centro Espírita). Informações adicionais são bem-vindas: Qual a fonte geradora do barulho, em que dias funciona e se servem almoço.

Do que pude entender, portanto, o que o PSIU quer dos denunciantes (que fazem a fiscalização por eles) são indicações de lugares para bater um rango com música ao vivo. É uma escrotice como o sistema funciona. Para poder dormir de boa eu tenho que virar investigador, descobrir de onde vem o barulho, e avisar o PSIU em quantas vezes o cara comprou o som dele e se foi com ou sem juros. Mais um pouco e eu entro com uma câmera escondida, faço o flagrante e mando a reportagem pro Fantástico.

Ainda quando liguei me disseram que não poderiam atender a ocorrência pois ela deve ser feita com antecedência. Aí já é demais. Os caras querem que eu me infiltre no boteco, beba Glacial com a galera e descubra que horas da semana que vem começa a próxima sessão. Porra. Isso não é sala de cinema. Se eu soubesse o endereço, se soubesse que horas começa, e se servem a merda do almoço ou não, já teria resolvido o problema faz tempo com ferramentes mais competentes do Estado que a “Patrulha do Silêncio”.

Boas relações sociais no mundo nunca vão se resolver com religião. No Brasil com certeza não se resolverá com educação. E no meio da porra do bairro onde eu moro com certeza não vai se resolver com bom-senso.
Hoje eu não condenaria a violência. Hoje eu seria capaz de torcer por uma chacina.
Hoje eu estou com saudades do Charles Bronson.

4 de janeiro de 2010

Comédias. *reeditado

Quando falamos de cinema no BcF nunca abordamos um dos gêneros primordiais, a comédia. Devo admitir que não sou um grande fã de comédias. Não é o estilo de filme que priorizo para comprar em DVD ou assistir no cinema, mas não negligencio completamente.

Desconsideradas as “comédias românticas politicamente corretas” (que não são comédias) gostaria de analisar alguns filmes da modalidade com relação a elenco e produtores. Essas pessoas não formam grupos como o Monty Python, que trabalhavam somente entre eles (e quando era necessário colocar uma mulher em cena lá estava Eric Idle para fazer as honras), mas raramente lemos nomes conhecidos nos créditos que já não tenhamos visto em outros filmes.
Nos tipos de comédia que assisto, sempre fica sensação de que um produtor está colocando um amigo dele pra trabalhar, dando uma chance para um desconhecido se tornar famoso pela arte de fazer rir. E notaremos que é isso mesmo o que acontece:

Adam Sandler fez Saturday Night Live, ficou famoso e montou a produtora dele, a Happy Madison (referência aos filmes Happy Gilmore – Um Maluco no Golfe e Billy Madison – Um Herdeiro Trapalhão). Na grande maioria dos filmes produzidos pela companhia de Sandler estão dois atores: Allen Covert e Peter Dante. Ambos são amigos de longa data de Sandler e escritores. Se Adam Sandler não bancasse os dois, eles iam demorar um pouco mais para aparecer por lá, se é que iam aparecer em qualquer lugar. Entre os filmes engraçados que os dois fizeram com a Happy Madison estão O Queridinho da Vovó (Grandma's Boy) e Programa Animal (Strange Wilderness).

Não por coincidência, quem também está nesses dois filmes é Jonah Hill (o gordo do Superbad – É Hoje). Quem bancou Jonah Hill na comédia foi Jude Apatow, diretor e escritor de O Virgem de 40 anos, Ligeiramente Grávidos, Segurando as Pontas (Pineapple Express) e etc. Hill trabalhou então com Steve Carell e Seth Rogen.

Seth Rogen está nos três últimos filmes citados. Também é comediante, escritor e produtor. Escreveu e atuou em Superbad ao lado de Bill Hader, mais um comediante/escritor que está, por exemplo, em Ressaca de Amor (Forgetting Sarah Marshall). O ator principal de Ressaca de Amor é Jason Segel, outro cara que apareceu em vários filmes de Apatow. Quando ele ainda era um ninguém fez uma ponta num filme muito bom: Procura-se Um Morto (Dead Man on Campus) onde ele lança uma frase que ficará marcada nos anais do cinema: “Don't fuck with my stuff”. Segel não tem a mesma visibilidade dos outros, aparece em papéis secundários nos filmes, como é o caso em Ligeiramente Grávidos. Outro que entra nessa lista é Justin Long, que trabalhou com Jonah Hill em Aprovados (Accepted) e Programa Animal, além de fazer uma ponta no último filme de Kevin Smith, Pagando bem que mal tem? (Zack and Miri Make a Porno), mais um filme com Rogen no elenco.

Então, como prometi que notaríamos, há de fato uma ligação entre esses comediantes. Eles produzem, escrevem, atuam, embarcam em projetos nuns dos outros além de trabalhar com outros produtores e tudo isso para que façam do riso um negócio muito lucrativo. Eu acho isso legal, não considero que muito trabalho na mão de poucos deixe o gênero estagnado. A variabilidade de temas e a abordagem de situações cotidianas e/ou absurdas aliadas com a capacidade de improviso desses atores para aprimorar roteiros é um atrativo.

Mas o importante de tudo isso é ver os amigos se ajudando. Fico pensando no Mike Myers quando ele fazia Wayne's World e hoje ninguém sabe o que aconteceu com o Garth (ainda bem que existe wikipedia). Bill e Ted – Dois Loucos no Tempo: O Ted virou Neo, mas o que aconteceu com o Bill? Outro ator que sumiu. O que aconteceu é que você não viu o Keanu Reeves chamar ele pra uma ponta no Matrix.

Não sei o motivo dessa camaradagem. Pode ter a ver com a supremacia judaica no humor estadunidense mas pode ser também que essas pessoas trabalhem entre eles porque conhecem suas capacidades e o quanto podem fazer um filme render. Ainda assim, achei que seria uma boa evidenciar essas relações, principalmente porque o texto na verdade é uma oportunidade para que eu cite meu gosto muitas vezes duvidoso para filmes. Felizmente as piadas variam mais que os atores nesses filmes, e eu recomendo os citados. E para não ficar faltando, indico também que conheçam o grupo de comédia Broken Lizard, com um gênero de comédia e estrutura sócio-política que lembra Monty Python (mas sem um cara travestido). Os filmes: Beerfest, Club Dread e Supertroopers. Lançaram recentemente Slammin' Salmon, outro filme que não vai dar as caras aqui no Brasil tão cedo.

Espero ter justiçado a comédia no Cinetoscópio.

* Estava satisfeito com o texto, mas hoje assisti Se Beber não Case (The Hangover) e tive uma epifania: Nas comédias, as piadas são o fator mais importante do filme, mas quanto mais você elabora a história, melhor fica. Ou seja: uma comédia, em sua essência, é igual a um filme pornô.

Coloquem esse na lista também.

3 de janeiro de 2010

2010

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