2009 foi o ano da morte do Michael Jackson, do Patrick Swayze e do Lombardi, da posse de Barack Obama, da gripe suína, dos escândalos no Senado, do mensalão do DEM, do fracasso da COP-15, da escolha do Rio como sede das Olimpíadas e de uma porrada de outras coisas que passaram reto pelo BcF. Mas nem tudo foi desinformação e inutilidade, pois em 25 textos (um recorde pessoal) tratamos de coisas bem interessantes (ou tentativas de) ao longo do ano.
Como estamos no Brasil, 2009 começou, no blog, só em fevereiro. E começou nervoso, com uma peleja insana envolvendo a divisão de ingressos entre times do Paulistinha. Opiniões parciais e argumentos enviesados esquentaram o pseudo-debate, como numa boa mesa redonda da televisão. Logo em seguida, rolou um texto que colocou no mesmo ringue Marcelo Camelo e Little Joy, mas que acabou em empate técnico graças ao meu relativismo cultural pós-kantiano.
Em março, em tom solene e piegas, saiu do forno uma homenagem tardia aos quatro anos de morte de Hunter Thompson – pessoa que é uma espécie de guru deste blog – com direito a considerações do jornalista André Pugliesi nos comentários. Falando no figura, surgiu depois a resenha de uma partida qualquer do Paulistinha que não valia nada e que ficou muito pior que as narrações empolgantes e acuradas do Jornalista de Merda. Em seguida, uma análise inicial sobre a temporada de F-1 apontou, com o dedo em riste, que essa história de nova F-1 que anunciam todo ano não passa de pura patifaria. Essa opinião seria complementada num texto posterior.
Em abril, foi postada uma crônica sobre o ócio que teve como ponto alto a citação de um livro de Lourenço Mutarelli. No mesmíssimo mês, apareceu uma corajosa resenha sobre o mítico CD do Ronaldo e os Impedidos, que foi massacrado pela crítica especializada e por mim também. E emendando o assunto, largaram por aqui um texto sobre o julgamento do Pirate Bay alinhada com uma trivial crítica à indústria fonográfica, dando corda à velha história que nunca termina.
Prova disso é que, em maio, um post que não era um post serviu para complementar o papo anterior sobre as gravadoras com um desenho do tinhoso no clássico estilão "soviet way of life". E mudando totalmente de assunto, repousou-se aqui uma peça acusadora sobre a novela da saída dos times mexicanos da Taça Libertadores da América de 2009, colocando todo o carma negativo nas costas da Conmebol. E para terminar o mês, uma resenha do álbum de estreia do Fleet Foxes, mais uma dessas boas bandas que surgem por aí de vez em quando.
Depois disso, o blog entrou em recesso e só voltou em agosto, com um texto ao estilo Seinfeld, sobre o nada. E ficou por isso mesmo.
No nono mês do ano, a pauta sobre F-1 ressurgiu em uma análise de meio de temporada com direito a uma abertura no melhor estilo kafkiano de escrever: "Hoje pela manhã, estava me desfazendo da janta e lendo o jornal". Depois, uma resenha da tão alardeada remasterização do catálogo dos Beatles, cheia de especulações e falsas certezas.
Em outubro, sobrevoou por aqui um estudo sobre a nova geração das animações em 3-D, tendo como pano de fundo o filme "Up! - Altas Aventuras". Depois, no melhor estilo David Letterman, mostramos as dez razões para não acreditar em listas. E ainda sapecaram um relato emocionante sobre os medos e delírios na Oktoberfest 2009, na qual estive de corpo presente e mentalmente nem tanto.
Em novembro, uma opinião polêmica sobre jogos adventures dividiu o blog. As divergências foram levadas às últimas consequências com um texto que atravessou os confins da web 2.0: começou no Twitter, continuou no Orkut e terminou aqui, sem vencedores ou perdedores. Depois de a paz ser selada em um bar, voltamos ao ritmo normal com uma análise fria, porém sincera, sobre as causas do São Paulo não ter sido campeão brasileiro este ano.
Por fim, em dezembro, um texto que mistura filosofia de banheiro, gatos tocando piano, duas garotas e um copo e Kevin Smith. E para finalizar, mais uma resenha de álbuns, desta vez da estranhíssima Susan Boyle, que fez uns covers à la Emmerson Nogueira só que ao estilo Andrea Bocelli. E tem também esta retrospectiva que você está lendo agora.
É isso aí, moçada. 2009 já era, agora só em 2010.
28 de dezembro de 2009
15 de dezembro de 2009
O retrato de Susan Boyle
Acho que todo mundo sabe quem é Susan Boyle: aquela mulher feia e gorda que ficou famosa por ser feia e gorda mas ter uma baita voz. Pois bem, esse fait-diver ambulante recentemente lançou um CD, fato que foi noticiado com estardalhaço no mundo inteiro, mas que, aparentemente, poucos se prestaram a ouvi-lo, já que não lembro de ter lido de relance nenhuma análise séria por aí.
Então resolvi dar uma chance para Susan e conferir qual é a desse álbum. E a maior surpresa é que ele não chega a ser ruim e isso já é bastante coisa. A verdade é que ninguém (eu, pelo menos) esperava muito dela. Mas ela resolveu mirar para o pop, com covers de Rolling Stones ("Wild Horses"), Madonna ("You'll See") e The Monkees ("Daydream Believer") para atingir as massas ignárias e aculturadas que vivem em seu mundinho pós-YouTube (mas lógico que isso é pura especulação).
Isso fica claro quando se compara as versões originais com as boyledianas. A interpretação do supracitado "Wild Horses", por exemplo, faixa que abre o CD, é interessante porque lembra pouco a do Mick Jagger e parece ter um toque mais pessoal (em entrevista, ela falou que se identificava muito com essa música). Mas, no restante, falhou-se enormemente neste sentido. O "You'll See" da Susan é quase o mesmo da Maddona – muito mais apoteótico, é verdade, mas em termos de ritmo e estilo são muito semelhantes. Ora bolas, isso até o Emerson Nogueira faz. Todo mundo sabe que o que torna uma versão cover legal é exatamente quando o artista dá uma cara pessoal à música homenageada, como faz o Me First and The Gimme Gimmes.
Mas é preciso reconhecer que o disco tem as suas qualidades. Como disse antes, a produção é bem feita e Susan tem talento. Portanto, não tem muito segredo: o produtor só precisa seguir o script e jogar com o regulamento debaixo do braço, sem precisar fazer grandes revoluções na mesa de som. Os arranjos, mesmo os feitos só pelo piano, são muito bons. Quando outros instrumentos se unem, o resultado fica quase cartático.
Para o bem ou para o mal, esse álbum de estreia mostrou a verdadeira face de Susan Boyle. Ela canta bem e de forma natural, mas seu estilo é cru. É óbvio que a gravadora quis lançá-la o quanto antes no mercado (ao invés de esperar ela se aperfeiçoar nesse aspecto) para aproveitar o máximo do fenômeno em torno de sua imagem – e, de quebra, descolar uma boa publicidade viral no vasco. Mas ele não deixa de ser uma boa opção de presente para o amigo secreto no Natal, ao lado de um disco do Roberto Carlos.
Diva?
Apesar de ter vendido bem, algo em torno de 700 mil cópias em uma semana, a recepção dos críticos foi bem fria. A impressão que deu é que o pessoal considerou o álbum como mais uma desssas farsas da indústria fonográfica, do tipo Mallu Magalhães ou Lilly Allen, só que estas foram abraçadas pela mídia especializada. Não que Susan não seja uma farsa, mas tudo isso ajuda a mostrar qual é a real da música pop.
O fato é que em tempos de Auto-Tune saber cantar ou ter um mínimo de talento musical é um detalhe (Lady Gaga que o diga). Com algumas exceções, o que se dissemina no mundo pop é uma imagem estilosa, uma atitude de porralouquice e uma jovialidade rebelde de James Dean. Já Susan não passa de uma caipira de meia idade do interior da Escócia cujo único aditivo deve ser uma xícara de chá com leite.
Por isso, acho quase impossível que ela consiga uma carreira musical sólida. No futuro, será mais fácil lembrá-la pelo viral da internet do que pela sua música, como aconteceu com o Rick Astley. Pra piorar, é natural que o hype em torno desses fenômenos midiáticos descresça com o tempo (a exceção talvez seja o vídeo do Batima, que ainda me proporciona alguma alegria adolescente). Então, não foi desta vez que a cultura pop ganhou mais um símbolo da resistência dos feios. E isso tanto por defeitos próprios quanto por estar muito fora do tal padrão.
Ouça aqui.
Então resolvi dar uma chance para Susan e conferir qual é a desse álbum. E a maior surpresa é que ele não chega a ser ruim e isso já é bastante coisa. A verdade é que ninguém (eu, pelo menos) esperava muito dela. Mas ela resolveu mirar para o pop, com covers de Rolling Stones ("Wild Horses"), Madonna ("You'll See") e The Monkees ("Daydream Believer") para atingir as massas ignárias e aculturadas que vivem em seu mundinho pós-YouTube (mas lógico que isso é pura especulação).
A grande verdade é que o disco não traz qualquer diferencial a não ser o tal fenômeno Susan Boyle. Todas as músicas seguem aquele estilão clássico modernoso, mas sem muita personalidade. O problema é que, embora Susan cante muito bem e todas as faixas sejam impecavelmente bem produzidas, na minha opinião faltou ousar mais, mostrar um estilo próprio – o que talvez ela não tenha ainda, já que se iniciou deveras amadurecida para a música. Não há qualquer alteração na melodia da voz, no estilo ou coisa assim – a única excessão é o jazz Cry Me a River, mas que ainda não bate a versão de Ella Fritzgerald. A impressão que fica é que "I Dreamed a Dream" é um álbum conservador para um público muito conservador.
Isso fica claro quando se compara as versões originais com as boyledianas. A interpretação do supracitado "Wild Horses", por exemplo, faixa que abre o CD, é interessante porque lembra pouco a do Mick Jagger e parece ter um toque mais pessoal (em entrevista, ela falou que se identificava muito com essa música). Mas, no restante, falhou-se enormemente neste sentido. O "You'll See" da Susan é quase o mesmo da Maddona – muito mais apoteótico, é verdade, mas em termos de ritmo e estilo são muito semelhantes. Ora bolas, isso até o Emerson Nogueira faz. Todo mundo sabe que o que torna uma versão cover legal é exatamente quando o artista dá uma cara pessoal à música homenageada, como faz o Me First and The Gimme Gimmes.
Mas é preciso reconhecer que o disco tem as suas qualidades. Como disse antes, a produção é bem feita e Susan tem talento. Portanto, não tem muito segredo: o produtor só precisa seguir o script e jogar com o regulamento debaixo do braço, sem precisar fazer grandes revoluções na mesa de som. Os arranjos, mesmo os feitos só pelo piano, são muito bons. Quando outros instrumentos se unem, o resultado fica quase cartático.
Para o bem ou para o mal, esse álbum de estreia mostrou a verdadeira face de Susan Boyle. Ela canta bem e de forma natural, mas seu estilo é cru. É óbvio que a gravadora quis lançá-la o quanto antes no mercado (ao invés de esperar ela se aperfeiçoar nesse aspecto) para aproveitar o máximo do fenômeno em torno de sua imagem – e, de quebra, descolar uma boa publicidade viral no vasco. Mas ele não deixa de ser uma boa opção de presente para o amigo secreto no Natal, ao lado de um disco do Roberto Carlos.
Diva?
Apesar de ter vendido bem, algo em torno de 700 mil cópias em uma semana, a recepção dos críticos foi bem fria. A impressão que deu é que o pessoal considerou o álbum como mais uma desssas farsas da indústria fonográfica, do tipo Mallu Magalhães ou Lilly Allen, só que estas foram abraçadas pela mídia especializada. Não que Susan não seja uma farsa, mas tudo isso ajuda a mostrar qual é a real da música pop.
O fato é que em tempos de Auto-Tune saber cantar ou ter um mínimo de talento musical é um detalhe (Lady Gaga que o diga). Com algumas exceções, o que se dissemina no mundo pop é uma imagem estilosa, uma atitude de porralouquice e uma jovialidade rebelde de James Dean. Já Susan não passa de uma caipira de meia idade do interior da Escócia cujo único aditivo deve ser uma xícara de chá com leite.
Por isso, acho quase impossível que ela consiga uma carreira musical sólida. No futuro, será mais fácil lembrá-la pelo viral da internet do que pela sua música, como aconteceu com o Rick Astley. Pra piorar, é natural que o hype em torno desses fenômenos midiáticos descresça com o tempo (a exceção talvez seja o vídeo do Batima, que ainda me proporciona alguma alegria adolescente). Então, não foi desta vez que a cultura pop ganhou mais um símbolo da resistência dos feios. E isso tanto por defeitos próprios quanto por estar muito fora do tal padrão.
Ouça aqui.
13 de dezembro de 2009
O embosteamento crítico (crítico no sentido do pensamento, e não da urgência)
Ganhei uma assinatura da Veja. A lei dos bons costumes diz que não se deve reclamar das coisas que você ganha no vasco. Fazia muito tempo que não lia uma Veja. Ainda me surpreendo como eles conseguem arranjar conteúdo (ou não) para encher tantas páginas, e ainda por cima misturar com muito mais páginas de publicidade (uns 75% da revista). Mas de graça é de graça. Fui dar uma cagada e levei a revista comigo. Cagar é um momento de reflexão, nunca deve ser encarado como uma simples necessidade natural, e enquanto lia a Veja estava mais interessado nos meus próprios pensamentos do que estava interessado em ler.
Entre um movimento intestinal e outro apareciam umas matérias engraçadas. Não digo engraçadas em um sentido cômico. Engraçadas porque eu não imagino que uma revista que se leva a sério como a Veja pode publicar matérias desse naipe. Uma delas era sobre gatos e sobre o apelo kitsch dos gatos, que fazem deles um bicho popular. Eu particularmente acho gato um bicho meio filho da puta, talvez por isso eu tenha algum respeito por eles. A matéria queria explicar porque gatos fazem sucesso na internet e porque pessoas gostam de gatos. Eu me contento mais com a minha explicação. Pessoas gostam de gatos porque gostam. O fato do gato tocar piano ou ser "fofo" não faz uma pessoa gostar de gatos, a não ser que o gato aprenda a tocar Mozart para agradar seu dono, algo que eu acho difícil, porque, como diz a matéria, gatos não aprendem truques para agradar os donos.
Enfim... a mulher escreveu na matéria que os gatos ganharam um novo status na sociedade e a prova disso são os vídeos muito acessados na internet, mas o que acontece na verdade é que as pessoas assistem esses vídeos porque, porra, é um gato tocando piano. Se fosse um cachorro, uma calopsita ou um peixe de aquário tocando piano, os acessos iam ser os mesmos, e ninguém ia gostar mais ou menos desses animais por causa disso. O raciocínio é muito simples: As pessoas estão vendo coisas que elas não veem com frequência, coisas que elas nem imaginam com frequência. Pode ser um gato tocando piano ou podem ser duas garotas e um copo. O fato de muitas pessoas assistirem isso não significa que a partir de agora a sociedade dará o devido espaço às pessoas que comem merda. O fato é que, como diz o gênio do cinema, não há motivos para usar a internet se você não usa ela pra olhar as coisas estranhas e grotescas que você não faria.
Aliás, uma coisa muito legal que se pode aprender dos filmes do Kevin Smith é isso: Você pode conversar com seus amigos todo dia, e todo dia a conversa pode começar com um "tudo bem?" pulando para o futebol, pulando para algum assunto aleatório, pulando para a lembrança de alguma coisa fora do normal que aconteceu com vocês no passado e indo finalmente para o "vamos fazer isso de novo daqui a alguns dias" OU você pode falar "outro dia eu estava cagando, lendo a Veja, que por sinal ganhei uma assinatura gratuita mas nunca pagaria para receber na porta da minha casa, e li uma matéria sobre gatos, mas eu não estava prestando atenção direito na matéria, porque na verdade estava pensando em escrever um texto sobre a vez que eu caguei lendo a Veja que ganhei de graça, e aí pensei em várias piadinhas boas de se fazer, e fiz uma referência ao vídeo mais escatológico da internet e ainda consegui citar uma frase de um filme em um contexto pertinente". Ao passo que meu amigo pode responder: "Então, o Flamengo foi campeão esse ano" OU ele pode adotar uma conversa fora do padrão e dizer "Nossa velho, uma vez eu fui cagar, não estava lendo a Veja, mas naquele momento íntimo de reflexão pensei sobre isso que você falou: as pessoas seguem um roteiro para conversar com outras pessoas. Eu sempre quis saber como é ter uma conversa ao estilo Seinfeld". E eu responderia: "Talvez se todas as pessoas no mundo fossem comediantes stand-up isso mudaria. Mas o que falta mesmo é as pessoas serem mais abertas e receptivas para falar e ouvir sobre o que estávamos pensando enquanto cagamos".
Entre um movimento intestinal e outro apareciam umas matérias engraçadas. Não digo engraçadas em um sentido cômico. Engraçadas porque eu não imagino que uma revista que se leva a sério como a Veja pode publicar matérias desse naipe. Uma delas era sobre gatos e sobre o apelo kitsch dos gatos, que fazem deles um bicho popular. Eu particularmente acho gato um bicho meio filho da puta, talvez por isso eu tenha algum respeito por eles. A matéria queria explicar porque gatos fazem sucesso na internet e porque pessoas gostam de gatos. Eu me contento mais com a minha explicação. Pessoas gostam de gatos porque gostam. O fato do gato tocar piano ou ser "fofo" não faz uma pessoa gostar de gatos, a não ser que o gato aprenda a tocar Mozart para agradar seu dono, algo que eu acho difícil, porque, como diz a matéria, gatos não aprendem truques para agradar os donos.
Enfim... a mulher escreveu na matéria que os gatos ganharam um novo status na sociedade e a prova disso são os vídeos muito acessados na internet, mas o que acontece na verdade é que as pessoas assistem esses vídeos porque, porra, é um gato tocando piano. Se fosse um cachorro, uma calopsita ou um peixe de aquário tocando piano, os acessos iam ser os mesmos, e ninguém ia gostar mais ou menos desses animais por causa disso. O raciocínio é muito simples: As pessoas estão vendo coisas que elas não veem com frequência, coisas que elas nem imaginam com frequência. Pode ser um gato tocando piano ou podem ser duas garotas e um copo. O fato de muitas pessoas assistirem isso não significa que a partir de agora a sociedade dará o devido espaço às pessoas que comem merda. O fato é que, como diz o gênio do cinema, não há motivos para usar a internet se você não usa ela pra olhar as coisas estranhas e grotescas que você não faria.
Aliás, uma coisa muito legal que se pode aprender dos filmes do Kevin Smith é isso: Você pode conversar com seus amigos todo dia, e todo dia a conversa pode começar com um "tudo bem?" pulando para o futebol, pulando para algum assunto aleatório, pulando para a lembrança de alguma coisa fora do normal que aconteceu com vocês no passado e indo finalmente para o "vamos fazer isso de novo daqui a alguns dias" OU você pode falar "outro dia eu estava cagando, lendo a Veja, que por sinal ganhei uma assinatura gratuita mas nunca pagaria para receber na porta da minha casa, e li uma matéria sobre gatos, mas eu não estava prestando atenção direito na matéria, porque na verdade estava pensando em escrever um texto sobre a vez que eu caguei lendo a Veja que ganhei de graça, e aí pensei em várias piadinhas boas de se fazer, e fiz uma referência ao vídeo mais escatológico da internet e ainda consegui citar uma frase de um filme em um contexto pertinente". Ao passo que meu amigo pode responder: "Então, o Flamengo foi campeão esse ano" OU ele pode adotar uma conversa fora do padrão e dizer "Nossa velho, uma vez eu fui cagar, não estava lendo a Veja, mas naquele momento íntimo de reflexão pensei sobre isso que você falou: as pessoas seguem um roteiro para conversar com outras pessoas. Eu sempre quis saber como é ter uma conversa ao estilo Seinfeld". E eu responderia: "Talvez se todas as pessoas no mundo fossem comediantes stand-up isso mudaria. Mas o que falta mesmo é as pessoas serem mais abertas e receptivas para falar e ouvir sobre o que estávamos pensando enquanto cagamos".
29 de novembro de 2009
Onde o São Paulo perdeu o título
Vou só escrever uma coisa rápida, que estive pensando durante as últimas horas.
Na minha opinião o São Paulo perdeu o título no empate com o Grêmio.
Ali perdeu sua única vantagem sobre os outros times: o plantel.
Se você parar para pensar, todo o time entrou em campo achando que aquele jogo contra o Grêmio seria o jogo do campeonato. O sistema defensivo do São Paulo (que vem falhando constantemente, algo curioso para a melhor defesa do campeonato) não deu conta da pressão, exagerou nas faltas e dentro de campo o São Paulo perdeu dois titulares e um bom reserva.
Mas é engraçado pensar. O São Paulo entrou em campo com uma mentalidade de guerrilha contra o único mandante invicto do campeonato, e para sair com um ponto de lá perdeu dois jogadores titulares. Sem eles, perdeu três pontos do segundo pior mandante (Botafogo) e outros três de um time que não disputa mais nada no campeonato (Goiás).
Logo depois deste argumento vem a famosa sigla: STJD.
Se você parar para pensar, o STJD pegou um pouco pesado com Dagoberto e Jean. Não posso falar que o Jean faria muita diferença contra o Botafogo porque não sei como o Ricardo Gomes montaria o time se ele pudesse jogar ou qual alterações faria. Posso dizer que seria um bom jogador a mais, daqueles que não precisam jogar muito bem para em um lance fazer a diferença.
Mas o problema maior mesmo foi no ataque. o Dagoberto era um jogador em boa fase e com certeza fez falta. E para piorar, o substituto direto no ataque do São Paulo também estava suspenso (com razão).
Mas eu realmente acredito que se o Dagoberto tivesse jogado os jogos contra Botafogo e Goiás, a coisa seria diferente.
É aquilo que eu disse, e vou repetir: O São Paulo entrou em campo com uma mentalidade de guerrilha contra o único mandante invicto do campeonato, e para sair com um ponto de lá perdeu dois jogadores titulares. Sem eles perdeu três pontos do segundo pior mandante e outros três de um time que não disputa mais nada no campeonato.
Há um erro em colocar na cabeça do jogador de futebol que, em um campeonato de pontos corridos, exista um jogo importantíssimo de ganhar. Todo jogo vale três pontos e todos os times se enfrentam. A prova disso é o Palmeiras ter liderado quase metade do campeonato e agora ter as mesmas chances de ser campeão que outros dois times: Dependem exclusivamente de uma derrota do Flamengo.
Resumindo. Na tentativa de ganhar na raça, o São Paulo ganhou um ponto e perdeu 6. Agora torce para que aconteça na última rodada o que aconteceu no campeonato inteiro: esperar o líder entregar a taça para outro.
Na minha opinião o São Paulo perdeu o título no empate com o Grêmio.
Ali perdeu sua única vantagem sobre os outros times: o plantel.
Se você parar para pensar, todo o time entrou em campo achando que aquele jogo contra o Grêmio seria o jogo do campeonato. O sistema defensivo do São Paulo (que vem falhando constantemente, algo curioso para a melhor defesa do campeonato) não deu conta da pressão, exagerou nas faltas e dentro de campo o São Paulo perdeu dois titulares e um bom reserva.
Mas é engraçado pensar. O São Paulo entrou em campo com uma mentalidade de guerrilha contra o único mandante invicto do campeonato, e para sair com um ponto de lá perdeu dois jogadores titulares. Sem eles, perdeu três pontos do segundo pior mandante (Botafogo) e outros três de um time que não disputa mais nada no campeonato (Goiás).
Logo depois deste argumento vem a famosa sigla: STJD.
Se você parar para pensar, o STJD pegou um pouco pesado com Dagoberto e Jean. Não posso falar que o Jean faria muita diferença contra o Botafogo porque não sei como o Ricardo Gomes montaria o time se ele pudesse jogar ou qual alterações faria. Posso dizer que seria um bom jogador a mais, daqueles que não precisam jogar muito bem para em um lance fazer a diferença.
Mas o problema maior mesmo foi no ataque. o Dagoberto era um jogador em boa fase e com certeza fez falta. E para piorar, o substituto direto no ataque do São Paulo também estava suspenso (com razão).
Mas eu realmente acredito que se o Dagoberto tivesse jogado os jogos contra Botafogo e Goiás, a coisa seria diferente.
É aquilo que eu disse, e vou repetir: O São Paulo entrou em campo com uma mentalidade de guerrilha contra o único mandante invicto do campeonato, e para sair com um ponto de lá perdeu dois jogadores titulares. Sem eles perdeu três pontos do segundo pior mandante e outros três de um time que não disputa mais nada no campeonato.
Há um erro em colocar na cabeça do jogador de futebol que, em um campeonato de pontos corridos, exista um jogo importantíssimo de ganhar. Todo jogo vale três pontos e todos os times se enfrentam. A prova disso é o Palmeiras ter liderado quase metade do campeonato e agora ter as mesmas chances de ser campeão que outros dois times: Dependem exclusivamente de uma derrota do Flamengo.
Resumindo. Na tentativa de ganhar na raça, o São Paulo ganhou um ponto e perdeu 6. Agora torce para que aconteça na última rodada o que aconteceu no campeonato inteiro: esperar o líder entregar a taça para outro.
22 de novembro de 2009
Uma discussão muito longa que poderia estar nos comentários do último texto, mas resolveu ficar por aqui para ganhar um título gigante.
Em 19 de novembro de 2009 uma discussão de questionável importância surgiu no twitter, migrou para o orkut e agora ganha versão bloguística. O tema tratado é "seleções classificadas para a Copa de 2010". Este é um episódio triste. Amizades foram desmanchadas por causa dessa discussão, e se você leitor é fraco do coração, sugiro que não leia deste trecho em diante.
*Os fatos relatados estão em ordem de acontecimento, mas também respeitam a linha de raciocínio dos participantes sem delimitar os 140 caracteres impostos pelo Twitter. Assim começa:
@igor03 em 19/10: Quem passa na repescagem pra Copa: França, Portugal, Grécia e Rússia. Pronto, não precisa mais perder tempo assistindo.
@igor03 em 18/11: Da previsão que eu fiz sobre a repescagem europeia da Copa, só errei o da Rússia. Puta merda, justo o da Rússia.
No dia 19/11 começam as brincadeiras e ataques entre os dois ex-amigos. O que vem a seguir é um conteúdo de baixo calão e linguagem explícita onde um responde ao outro as verdades ácidas que corroeram laços de amizade:
@Aoleite: Está na hora de aprender que no futebol não tem essa de "previsão". Tem chute. Tem chute por causa de lances como o de mão da França.
@igor03: Sem dúvidas. Mas, por mim, a França poderia ter ficado de fora da Copa. A Rússia, não.
@Aoleite: Olha cara... Acho que essa obsessão comunista pós-comunismo no esporte não é saudável. Já tem dois países camaradas participando...
Futebol russo é bem ridículo. Eslováquia e Eslovênia podem apresentar um futebol diferente do que estamos acostumados a ver.
@igor03: Ah claro, a Rússia é mto comunista. Se liga, o barato é de outro nível. É independente do sistema econômico, como torcer pro Japão.
@Aoleite: Uma das razões para eu dizer isso é o fato de você ter uma camisa vermelha com os dizeres CCCP. Mas caso não tenha lido minha mensagem: obsessão comunista pós-comunismo. Mas é claro, se você só está triste porque o Arshavin não vai jogar, por favor desconsidere meus comentários
@igor03: Defina "futebol diferente". Albânia deve ter um futebol diferente também. Você viu a Euro-2008? Poucos times me empolgaram tanto quanto aquele esquadrão russo. Mas lógico que nada justifica não ter capacidade de eliminar a Eslovênia. Nem que fosse com mão na bola.
@Aoleite: Diferente é tudo aquilo que você não conhece. Conhece o futebol na Eslovênia? Na Rússia, campeonato nacional, o jogo é bem ruim. Passa na ESPN e tudo mais, e, não sei se você viu, mas a base da seleção joga lá. Você conhece os jogadores. Você sabe que não vai sair muita coisa boa. Pelo seu pensamento Coréia do Norte não merece jogar uma copa e surpreender... é isso? Euro2008 é diferente de Copa2010. Grécia já foi campeã. Rússia pode ter te encantado o que for, mas se até a Grécia já foi campeã e a Rússia não...
Aí o cara que eu pensava conhecer antes deste acontecimento levantou a virtual mesa de bar e quis ganhar a conversa no tapetão:
@igor03: Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Acho que Twitter não foi feito pra isso.
E eu tive a chance de retrucar:
@Aoleite: Agora você quer discutir a utilidade do Twitter... Meu Deus, que argumentação ridícula é esta?!
As contas do Orkut se abriram, e assim continuou a discussão:
Igor:
1) Não defendo um comunismo ao estilo soviético. Aliás, nem defendo o comunismo em si. Você está querendo me atingir para deslegitimar meu discurso.
2) Na sua defesa por um futebol diferente, poderíamos tirar a Inglaterra, que tem um estilo mais consagrado, e colocar a Tailândia que ninguém sabe do que são capazes.
3) Duvido muito que Coreia do Norte (um país comunista) faça algo surpreendente nesta Copa. Coreia do Sul foi um caso a parte em 2002, pois jogava em casa, foi beneficiado pelo arbitragem e tinha um baita técnico (aliás, o mesmo que treina a Rússia).
4) Euro2008?Copa2010. Aceito essa condição. Mas, não totalmente. Senão, por que todos põe a Espanha como favorita? No máximo, ela vai ganhar dos europeus. E a Rússia fez uma boa campanha nas eliminatórias.
5) Não sou ninguém para dizer a utilidade do Twitter. Vou deixar isso pra quem analisa a imprensa no Irã, o que não é meu forte.
Andre:
1) Com certeza quero deslegitimar seu discurso. Não tem graça entrar na discussão se você não vai
a) Mudar a opinião da pessoa e/ou
b) Fazer ela passar por idiota ou coisa parecida
2) Por favor não leve todas as palavras ao pé da letra sem interpretação do conteúdo da discussão. O Futebol da Inglaterra é igual, mas como você disse, é um futebol consagrado. O que estou implicando em minha tese é que o futebol russo é ruim a tal ponto (na minha opinião, é claro) que me estimula a ver até um estilo de jogo que eu não conheça, mesmo que depois, ironicamente, eu descubra que o futebol tailandês não tenha nada de diferente do azerbaidjano
3) Você pode duvidar, mas como eu disse anteriormente (e inclusive foi o ponto inicial dessa discussão) o futebol não se prevê. As chances são mínimas para a Coréia do Norte, sim. Mas só descobriremos o quão longe ela vai chegar no meio do ano que vem.
4) Espanha é favorita por ter sido campeã da Euro e por apresentar um bom futebol. A Rússia jogou uma boa Euro, não foi campeã e foi tão bem nas eliminatórias que teve que disputar a repescagem.
5) Vou concordar em discordar.
Meu agora adversário usou uma língua morta (o que em si já é um golpe baixo nas leis não-escritas da argumentação) para confundir meu raciocínio. Tive que usar o google para entender o que ele quis dizer. Retomemos:
Igor:
1) O problema de usar o argumentum ad hominem é que ela não deslegitima o discurso, só a pessoa, e, por isso, não muda a opinião de ninguém.
2)O que me faz pensar que a seleção russa tinha potencial pra surpreender na Copa é justamente isso. Ninguém realmente espera muita coisa deles. O grande diferencial realmente é o técnico Gus Hiddink.
3) Porra, no Twitter eu concordei que não existe essa coisa de previsão. Senão, eu tava feito na Lotogol. Mas, a questão é a seguinte: você diz que a seleção da Rússia é ruim pq os jogadores jogam no péssimo campeonato russo. Mas diz que a Coréia do Norte pode surpreender na Copa. Então, sabendo que a maioria dos jogadores do selecionado jogam lá, o campeonato norte-coreano é melhor que o russo?
4) Tá, mas nem eu esperaria que a Rússia fosse campeã da Copa. Só esperava que batesse uns times (teoricamente) mais fortes que ela. E se ela jogasse como jogou na Euro, ganhava fácil. E quanto às eliminatórias, mesmo para conseguir ir pra repescagem, para a Rússia foi mais tranquilo do que para Portugal e França.
5) Discordar do quê? Que eu não manjo nada de imprensa iraniana?
Andre:
1) Bom, então por favor aplique a opção B que lhe dei em minha resposta anterior.
2) Então vamos torcer para ele assumir a África do Sul no lugar do Parreira.
3) Não digo que a Coréia pode surpreender na Copa. Digo que ela pode ou não pode e eu vou esperar para ver. Com relação à segunda parte do terceiro quesito, não sei se o campeonato coreano é melhor que o Russo. Como a ESPN não passa o campeonato coreano, prefiro que a Coréia vá à Copa para eu saber mais a respeito do que ver a Rússia jogar.
4) Foi mais tranquilo e, ironicamente, Portugal e França estão na Copa e Rússia não. Como diria Muricy Ramalho, futebol é resultado meu filho.
5) Discordar da inclusão do argumento como quebra-gelo para uma discussão outrora séria.
Igor:
1) Não porque a opção B também não funcionou. Só se eu estivesse na época da ditadura, em que comunistas viravam carne moída.
2) Tomara. Aí sim, seremos surpreendidos novamente.
3) Bom, mas Coreia do Norte ou qualquer outro selecionado só poderá ser surpresa se rolar uma expectativa, os tais "chutes". Se em todos os jogos, os comentaristas falarem "olha, o time X é bom, mas o Y pode surpreender", então eles são servem para nada. E outra coisa, se a ESPN não passasse o campeonato russo, você torceira efusivamente para a Rússia contra a Eslovênia?
4) Sim, foi incompetência do time não ter se classificado, nunca neguei isso. Mas a comparação que estávamos fazendo é sobre uma Espanha com chances de ser campeã contra uma Rússia com chance de jogar bem a Copa.
5) Mas foi você quem polemizou com a questão do Twitter. Só disse minha opinião.
Andre:
1) De novo uma questão de ponto de vista.
2) Muito original sua colocação. Vai divertir os macacos de plantão.
3) Comentaristas não servem para nada. Você acompanha futebol? Posso te dizer o que cada comentarista vai falar nos próximos três jogos do campeonato brasileiro de um time da sua escolha e apostar que o que eu vou dizer não vai ficar muito diferente do roteiro do comentarista. E, caso a ESPN não passasse o campeonato russo nem o esloveno, não torceria por A nem B. Parece que você ainda não entendeu meu argumento nesse quesito.
4) Claro, são duas coisas diferentes (sem sarcasmo aqui). Minha opinião é a seguinte. Espanha tem chances de ser campeã (jogando bem ou mal) Rússia tem chances de jogar bem a Copa (ou qualquer outra competição, como a Euro). O único problema é que Rússia não está na Copa, não é mesmo?
5) Muito pelo contrário. Quem polemizou a questão foi o senhor, ao dizer que o twitter não serve para tais fins.
Citação rápida: "Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Acho que Twitter não foi feito pra isso."
Ponto final na questão 5. A culpa é do senhor!
A troca de acusações não saiu barato:
Igor:
1) Se há alguma objeção, argumente sem medo.
2) Ótimo argumento. Sócrates ficaria orgulhoso de tal raciocínio.
3) Tá bom, então no mundo ideal nós deveríamos abolir os comentaristas, assim como os colunistas de jornais, as mesas redondas e dar um brinde à isenção jornalística. O que eu entendi do seu argumento, em linhas gerais, é o seguinte: acho o campeonato russo uma bosta e como a maioria dos jogadores da seleção russa jogam lá, logo a seleção é uma bosta. Por isso, você trocaria facilmente os russos por uma outra seleção qualquer. Estou errado?
4) Sim, mas a discussão começou quando foi dito que uma coisa é jogar a Euro e outra é jogar a Copa. Até a Grécia entrou na história. E eu disse que isso era relativo. Mas uma coisa que você disse é certa, o time atual da Rússia pode jogar bem qualquer competição. Desde que não faça que nem no jogo de volta da repescagem.
5) "Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Ac
Andre:
1) O simples fato de você levar isso a sério já me faz pensar o quanto meu argumento funciona (para mim, é claro)
2) A recíproca é verdadeira.
3) É muito legal como você coloca palavras na minha boca até quando a conversa é digital. Sim, com raras excessões comentaristas vão se abster de dar opiniões próprias e seguir o discurso padrão. Como eu já conheço esse discurso, considero-os dispensáveis. A seleção da Rússia é uma bosta por causa de diversos fatores. Este pode ser um deles. Meu argumento se baseia no simples fato de eu preferir conhecer outras culturas de futebol do que as que eu conheço e não me agradam. Como tudo na vida, é um gosto pessoal. Assim como o seu gosto por futebol russo, que na minha brincadeira (que você começou a levar a sério) se deve à ideologias políticas passadas, tem uma razão única de ser.
4) Então concordamos. Eu também disse ser relativo. Se não me engano, muito da discussão também se deve a isso: O fato de um time poder jogar bem ou não independente de sua força (Na minha opinião o futebol russo é fraco, isso não os proíbe de fazer boas partidas)
5) Se o Twitter não foi feito para twittar (ou, como você diz, "lotar desnecessariamente a timeline") não vejo outros motivos para Twitter existir, ergo minha colocação se mantém apropriada. Opinião pessoal, novamente...
Igor:
1) Falou bem. O argumento funciona pra você e mais ninguém. Ponto final.
2) A recíproca é verdadeira.
3) Ué, mas você disse anteriormente que comentaristas não servem pra nada. Só reforcei a ideia.
O grande imbróglio aqui é o seguinte: você acha que a seleção russa é dispensável porque você supostamente já conhece-a e não gosta dela. OK. Mas eu acho que ela é supostamente boa, principalmente pelo que apresentou na Euro 2008. Sobre aparecer um futebol diferente não é a questão. Ela está sendo usada aqui como um pé de apoio.
4) Exato.
5) Não disse que não foi feito para twittar, mas sim para fazer debates extensos. Aí fica aquela coisa do reply ad eternum, com a timeline lotada de mensagens pela metade, sem falar que não dá pra fazer bons argumentos com 140 caracteres.
Andre:
1) O ponto 1 está encerrado.
2) O ponto 2 está encerrado por repetição.
3) Li o tom de sarcasmo da mensagem e respondi. A questão não é sobre aparecer um futebol diferente, de fato. Mas é um dos argumentos para eu não me importar com a classificação da Eslovênia sobre a Rússia, diferente de você, que esperaria boas apresentações do time.
4) Ok.
5) Concordo com a questão dos 140 caracteres, mas para mim o senhor foi quem fugiu da raia, claramente porque se sente mais inseguro com as respostas instantâneas do twitter que não lhe dão tempo de escrever termos em latim com a paciência que o senhor gostaria.
Estamos perto do fim:
Igor:
1) Ok
2) Ok
3) Ok
4) Ok
5) Não vou responder porque você desferiu um ataque pessoal desnecessário. Se quiser resolver na mão, tamos aí.
Andre:
5) Você quer ditar de novo as regras do jogo. Primeiro não vale Twitter, agora não vale Orkut. Estou pronto para resolver essa parada de todas as formas primitivas possíveis!
Igor:
5) Mostra aí quando eu disse que não vale Orkut. Só não quero me sujeitar a responder ataques pessoais que não entram no caso.
Andre:
5) Na verdade todos os ataques são pessoais partindo do princípio que você está defendendo sua opinião e eu a minha.
Igor (respondendo em sua própria janela de recados):
5) Olha a retórica. Não vou me dar ao trabalho de explicar o termo técnico de ataque pessoal. Muito menos o significado de argumentação.
Andre:
5) Então por favor não explique. Tenho um dicionário aqui ao meu lado e posso consultá-lo quando achar necessário. E sim, já estou respondendo a mensagem que você ainda nem conseguiu mandar para mim!
Aí fomos tomar uma cerveja e a discussão terminou em pizza.
*Os fatos relatados estão em ordem de acontecimento, mas também respeitam a linha de raciocínio dos participantes sem delimitar os 140 caracteres impostos pelo Twitter. Assim começa:
@igor03 em 19/10: Quem passa na repescagem pra Copa: França, Portugal, Grécia e Rússia. Pronto, não precisa mais perder tempo assistindo.
@igor03 em 18/11: Da previsão que eu fiz sobre a repescagem europeia da Copa, só errei o da Rússia. Puta merda, justo o da Rússia.
No dia 19/11 começam as brincadeiras e ataques entre os dois ex-amigos. O que vem a seguir é um conteúdo de baixo calão e linguagem explícita onde um responde ao outro as verdades ácidas que corroeram laços de amizade:
@Aoleite: Está na hora de aprender que no futebol não tem essa de "previsão". Tem chute. Tem chute por causa de lances como o de mão da França.
@igor03: Sem dúvidas. Mas, por mim, a França poderia ter ficado de fora da Copa. A Rússia, não.
@Aoleite: Olha cara... Acho que essa obsessão comunista pós-comunismo no esporte não é saudável. Já tem dois países camaradas participando...
Futebol russo é bem ridículo. Eslováquia e Eslovênia podem apresentar um futebol diferente do que estamos acostumados a ver.
@igor03: Ah claro, a Rússia é mto comunista. Se liga, o barato é de outro nível. É independente do sistema econômico, como torcer pro Japão.
@Aoleite: Uma das razões para eu dizer isso é o fato de você ter uma camisa vermelha com os dizeres CCCP. Mas caso não tenha lido minha mensagem: obsessão comunista pós-comunismo. Mas é claro, se você só está triste porque o Arshavin não vai jogar, por favor desconsidere meus comentários
@igor03: Defina "futebol diferente". Albânia deve ter um futebol diferente também. Você viu a Euro-2008? Poucos times me empolgaram tanto quanto aquele esquadrão russo. Mas lógico que nada justifica não ter capacidade de eliminar a Eslovênia. Nem que fosse com mão na bola.
@Aoleite: Diferente é tudo aquilo que você não conhece. Conhece o futebol na Eslovênia? Na Rússia, campeonato nacional, o jogo é bem ruim. Passa na ESPN e tudo mais, e, não sei se você viu, mas a base da seleção joga lá. Você conhece os jogadores. Você sabe que não vai sair muita coisa boa. Pelo seu pensamento Coréia do Norte não merece jogar uma copa e surpreender... é isso? Euro2008 é diferente de Copa2010. Grécia já foi campeã. Rússia pode ter te encantado o que for, mas se até a Grécia já foi campeã e a Rússia não...
Aí o cara que eu pensava conhecer antes deste acontecimento levantou a virtual mesa de bar e quis ganhar a conversa no tapetão:
@igor03: Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Acho que Twitter não foi feito pra isso.
E eu tive a chance de retrucar:
@Aoleite: Agora você quer discutir a utilidade do Twitter... Meu Deus, que argumentação ridícula é esta?!
As contas do Orkut se abriram, e assim continuou a discussão:
Igor:
1) Não defendo um comunismo ao estilo soviético. Aliás, nem defendo o comunismo em si. Você está querendo me atingir para deslegitimar meu discurso.
2) Na sua defesa por um futebol diferente, poderíamos tirar a Inglaterra, que tem um estilo mais consagrado, e colocar a Tailândia que ninguém sabe do que são capazes.
3) Duvido muito que Coreia do Norte (um país comunista) faça algo surpreendente nesta Copa. Coreia do Sul foi um caso a parte em 2002, pois jogava em casa, foi beneficiado pelo arbitragem e tinha um baita técnico (aliás, o mesmo que treina a Rússia).
4) Euro2008?Copa2010. Aceito essa condição. Mas, não totalmente. Senão, por que todos põe a Espanha como favorita? No máximo, ela vai ganhar dos europeus. E a Rússia fez uma boa campanha nas eliminatórias.
5) Não sou ninguém para dizer a utilidade do Twitter. Vou deixar isso pra quem analisa a imprensa no Irã, o que não é meu forte.
Andre:
1) Com certeza quero deslegitimar seu discurso. Não tem graça entrar na discussão se você não vai
a) Mudar a opinião da pessoa e/ou
b) Fazer ela passar por idiota ou coisa parecida
2) Por favor não leve todas as palavras ao pé da letra sem interpretação do conteúdo da discussão. O Futebol da Inglaterra é igual, mas como você disse, é um futebol consagrado. O que estou implicando em minha tese é que o futebol russo é ruim a tal ponto (na minha opinião, é claro) que me estimula a ver até um estilo de jogo que eu não conheça, mesmo que depois, ironicamente, eu descubra que o futebol tailandês não tenha nada de diferente do azerbaidjano
3) Você pode duvidar, mas como eu disse anteriormente (e inclusive foi o ponto inicial dessa discussão) o futebol não se prevê. As chances são mínimas para a Coréia do Norte, sim. Mas só descobriremos o quão longe ela vai chegar no meio do ano que vem.
4) Espanha é favorita por ter sido campeã da Euro e por apresentar um bom futebol. A Rússia jogou uma boa Euro, não foi campeã e foi tão bem nas eliminatórias que teve que disputar a repescagem.
5) Vou concordar em discordar.
Meu agora adversário usou uma língua morta (o que em si já é um golpe baixo nas leis não-escritas da argumentação) para confundir meu raciocínio. Tive que usar o google para entender o que ele quis dizer. Retomemos:
Igor:
1) O problema de usar o argumentum ad hominem é que ela não deslegitima o discurso, só a pessoa, e, por isso, não muda a opinião de ninguém.
2)O que me faz pensar que a seleção russa tinha potencial pra surpreender na Copa é justamente isso. Ninguém realmente espera muita coisa deles. O grande diferencial realmente é o técnico Gus Hiddink.
3) Porra, no Twitter eu concordei que não existe essa coisa de previsão. Senão, eu tava feito na Lotogol. Mas, a questão é a seguinte: você diz que a seleção da Rússia é ruim pq os jogadores jogam no péssimo campeonato russo. Mas diz que a Coréia do Norte pode surpreender na Copa. Então, sabendo que a maioria dos jogadores do selecionado jogam lá, o campeonato norte-coreano é melhor que o russo?
4) Tá, mas nem eu esperaria que a Rússia fosse campeã da Copa. Só esperava que batesse uns times (teoricamente) mais fortes que ela. E se ela jogasse como jogou na Euro, ganhava fácil. E quanto às eliminatórias, mesmo para conseguir ir pra repescagem, para a Rússia foi mais tranquilo do que para Portugal e França.
5) Discordar do quê? Que eu não manjo nada de imprensa iraniana?
Andre:
1) Bom, então por favor aplique a opção B que lhe dei em minha resposta anterior.
2) Então vamos torcer para ele assumir a África do Sul no lugar do Parreira.
3) Não digo que a Coréia pode surpreender na Copa. Digo que ela pode ou não pode e eu vou esperar para ver. Com relação à segunda parte do terceiro quesito, não sei se o campeonato coreano é melhor que o Russo. Como a ESPN não passa o campeonato coreano, prefiro que a Coréia vá à Copa para eu saber mais a respeito do que ver a Rússia jogar.
4) Foi mais tranquilo e, ironicamente, Portugal e França estão na Copa e Rússia não. Como diria Muricy Ramalho, futebol é resultado meu filho.
5) Discordar da inclusão do argumento como quebra-gelo para uma discussão outrora séria.
Igor:
1) Não porque a opção B também não funcionou. Só se eu estivesse na época da ditadura, em que comunistas viravam carne moída.
2) Tomara. Aí sim, seremos surpreendidos novamente.
3) Bom, mas Coreia do Norte ou qualquer outro selecionado só poderá ser surpresa se rolar uma expectativa, os tais "chutes". Se em todos os jogos, os comentaristas falarem "olha, o time X é bom, mas o Y pode surpreender", então eles são servem para nada. E outra coisa, se a ESPN não passasse o campeonato russo, você torceira efusivamente para a Rússia contra a Eslovênia?
4) Sim, foi incompetência do time não ter se classificado, nunca neguei isso. Mas a comparação que estávamos fazendo é sobre uma Espanha com chances de ser campeã contra uma Rússia com chance de jogar bem a Copa.
5) Mas foi você quem polemizou com a questão do Twitter. Só disse minha opinião.
Andre:
1) De novo uma questão de ponto de vista.
2) Muito original sua colocação. Vai divertir os macacos de plantão.
3) Comentaristas não servem para nada. Você acompanha futebol? Posso te dizer o que cada comentarista vai falar nos próximos três jogos do campeonato brasileiro de um time da sua escolha e apostar que o que eu vou dizer não vai ficar muito diferente do roteiro do comentarista. E, caso a ESPN não passasse o campeonato russo nem o esloveno, não torceria por A nem B. Parece que você ainda não entendeu meu argumento nesse quesito.
4) Claro, são duas coisas diferentes (sem sarcasmo aqui). Minha opinião é a seguinte. Espanha tem chances de ser campeã (jogando bem ou mal) Rússia tem chances de jogar bem a Copa (ou qualquer outra competição, como a Euro). O único problema é que Rússia não está na Copa, não é mesmo?
5) Muito pelo contrário. Quem polemizou a questão foi o senhor, ao dizer que o twitter não serve para tais fins.
Citação rápida: "Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Acho que Twitter não foi feito pra isso."
Ponto final na questão 5. A culpa é do senhor!
A troca de acusações não saiu barato:
Igor:
1) Se há alguma objeção, argumente sem medo.
2) Ótimo argumento. Sócrates ficaria orgulhoso de tal raciocínio.
3) Tá bom, então no mundo ideal nós deveríamos abolir os comentaristas, assim como os colunistas de jornais, as mesas redondas e dar um brinde à isenção jornalística. O que eu entendi do seu argumento, em linhas gerais, é o seguinte: acho o campeonato russo uma bosta e como a maioria dos jogadores da seleção russa jogam lá, logo a seleção é uma bosta. Por isso, você trocaria facilmente os russos por uma outra seleção qualquer. Estou errado?
4) Sim, mas a discussão começou quando foi dito que uma coisa é jogar a Euro e outra é jogar a Copa. Até a Grécia entrou na história. E eu disse que isso era relativo. Mas uma coisa que você disse é certa, o time atual da Rússia pode jogar bem qualquer competição. Desde que não faça que nem no jogo de volta da repescagem.
5) "Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Ac
Andre:
1) O simples fato de você levar isso a sério já me faz pensar o quanto meu argumento funciona (para mim, é claro)
2) A recíproca é verdadeira.
3) É muito legal como você coloca palavras na minha boca até quando a conversa é digital. Sim, com raras excessões comentaristas vão se abster de dar opiniões próprias e seguir o discurso padrão. Como eu já conheço esse discurso, considero-os dispensáveis. A seleção da Rússia é uma bosta por causa de diversos fatores. Este pode ser um deles. Meu argumento se baseia no simples fato de eu preferir conhecer outras culturas de futebol do que as que eu conheço e não me agradam. Como tudo na vida, é um gosto pessoal. Assim como o seu gosto por futebol russo, que na minha brincadeira (que você começou a levar a sério) se deve à ideologias políticas passadas, tem uma razão única de ser.
4) Então concordamos. Eu também disse ser relativo. Se não me engano, muito da discussão também se deve a isso: O fato de um time poder jogar bem ou não independente de sua força (Na minha opinião o futebol russo é fraco, isso não os proíbe de fazer boas partidas)
5) Se o Twitter não foi feito para twittar (ou, como você diz, "lotar desnecessariamente a timeline") não vejo outros motivos para Twitter existir, ergo minha colocação se mantém apropriada. Opinião pessoal, novamente...
Igor:
1) Falou bem. O argumento funciona pra você e mais ninguém. Ponto final.
2) A recíproca é verdadeira.
3) Ué, mas você disse anteriormente que comentaristas não servem pra nada. Só reforcei a ideia.
O grande imbróglio aqui é o seguinte: você acha que a seleção russa é dispensável porque você supostamente já conhece-a e não gosta dela. OK. Mas eu acho que ela é supostamente boa, principalmente pelo que apresentou na Euro 2008. Sobre aparecer um futebol diferente não é a questão. Ela está sendo usada aqui como um pé de apoio.
4) Exato.
5) Não disse que não foi feito para twittar, mas sim para fazer debates extensos. Aí fica aquela coisa do reply ad eternum, com a timeline lotada de mensagens pela metade, sem falar que não dá pra fazer bons argumentos com 140 caracteres.
Andre:
1) O ponto 1 está encerrado.
2) O ponto 2 está encerrado por repetição.
3) Li o tom de sarcasmo da mensagem e respondi. A questão não é sobre aparecer um futebol diferente, de fato. Mas é um dos argumentos para eu não me importar com a classificação da Eslovênia sobre a Rússia, diferente de você, que esperaria boas apresentações do time.
4) Ok.
5) Concordo com a questão dos 140 caracteres, mas para mim o senhor foi quem fugiu da raia, claramente porque se sente mais inseguro com as respostas instantâneas do twitter que não lhe dão tempo de escrever termos em latim com a paciência que o senhor gostaria.
Estamos perto do fim:
Igor:
1) Ok
2) Ok
3) Ok
4) Ok
5) Não vou responder porque você desferiu um ataque pessoal desnecessário. Se quiser resolver na mão, tamos aí.
Andre:
5) Você quer ditar de novo as regras do jogo. Primeiro não vale Twitter, agora não vale Orkut. Estou pronto para resolver essa parada de todas as formas primitivas possíveis!
Igor:
5) Mostra aí quando eu disse que não vale Orkut. Só não quero me sujeitar a responder ataques pessoais que não entram no caso.
Andre:
5) Na verdade todos os ataques são pessoais partindo do princípio que você está defendendo sua opinião e eu a minha.
Igor (respondendo em sua própria janela de recados):
5) Olha a retórica. Não vou me dar ao trabalho de explicar o termo técnico de ataque pessoal. Muito menos o significado de argumentação.
Andre:
5) Então por favor não explique. Tenho um dicionário aqui ao meu lado e posso consultá-lo quando achar necessário. E sim, já estou respondendo a mensagem que você ainda nem conseguiu mandar para mim!
Aí fomos tomar uma cerveja e a discussão terminou em pizza.
13 de novembro de 2009
Jogos para sempre: Day of the Tentacle

Pode perguntar pra qualquer marmanjo com mais de 20 anos: 9 em cada 10 vão dizer que a melhor geração de videogames foi a dos anos 90. E sem aquele papo ranhento de saudosismo da adolescência. É algo mais factual: a referida década, para os nerds, equivale à geração de Pelé para o futebol brasileiro. Foi o auge do videogame-arte, que não tinha aquele amadorismo do Atari, tampouco o apego doentio à realidade da gen atual. Era tudo feito na base do suor, do amor à camisa e da criatividade dos programadores. Naquela época, o esquema era totalmente diferente: o jogador era obrigado a extrair o máximo de sua massa cinzenta – ao invés usá-lo para ficar admirando a qualidade gráfica do fiapo do vinco da calça do figurante.
Digo isso porque recentemente rejoguei o "Day of The Tentacle", certamente um dos games mais legais da história. Como um bom adventure, gênero praticamente morto nos dias atuais, a mecânica consiste em descobrir pistas durante a jogatina para resolver quebra-cabeças. E para isso não precisava de uma jogabilidade revolucionária (pois era jogado pelo mouse) para divertir, só uma boa e envolvente história já resolvia a parada com maestria.
O jogo começa na mansão-hotel do Dr. Fred, um cientista maluco que despeja lixo tóxico de seu laboratório secreto sem remorso. Até que um tentáculo roxo, que estava hospedado no local junto com seu amigo tentáculo verde, entra em contato com a química e sofre uma mutação genética que lhe dá braços e uma monstruosa inteligência malígna, que pretende usar para dominar o mundo. Dr. Fred, então, captura os dois tentáculos e prepara o procedimento de morte. O verde, que não tinha nada a ver com isso, chama os três personagens principais – o nerd Bernard Bernoulli, o metaleiro Hoagie e a psicótica Laverne – para ajudá-lo. Só que eles acabam soltando também o maléfico e terrorista tentáculo roxo, que sai para botar seu plano em ação.
O que torna o dia do tentáculo diferente de outros excelentes adventures, como "Full Throttle" e "Sam & Max", é a possibilidade de alterar o espaço-tempo de acordo com suas ações históricas. Explicando melhor, para poder deter o tentáculo roxo, Dr. Fred envia os três de volta para o começo do dia para que evitem que o tentáculo roxo se torne um mutante do mal. Só que o processo de transposição temporal dá errado e Hoagie é enviado ao passado, Laverne para o futuro e Bernard volta para o presente. Assim, por exemplo, quando Hoagie altera a bandeira norte-americana para uma em forma de tentáculo, automaticamente, no futuro, elas são trocadas nos mastros das casas. Isso torna a solução de certos quebra-cabeças muito mais desafiante, porque as possibilidade de interação são inúmeras.
O game teve como co-autor Tim Schafer, que também foi responsável pela série "A Ilha dos Macacos", "Full Throttle" e "Grim Fandango". Recentemente, ele trabalhou no game Brütal Legend, que mistura adventure com elementos de ação, estratégia e missões à la GTA. Não sei se é tão bom quanto os outros jogos que ele tem no currículo. Mas o fato é que hoje parece quase impossível criar bons adventures como nos anos 90, quando a LucasArts apostava uma boa grana no gênero. Porém, na virada do milênio, os jogos de tiro para PC começaram a reinar e ficamos só na saudade (dos tempos em que saíam bons adventures).
3 de novembro de 2009
Microrresenhas da Mostra de SP 2
PIXO (PIXO) - 2009 - Brasil
Documentário de João Wainer e Roberto T. Oliveira revela a cara da pichação em São Paulo. Jovens vindos da periferia percorrem a cidade, sobem em prédios e escalam muros para se divertir e chocar a burguesia com suas letras ininteligiveis. O filme não toma partido, não os mostra como vândalos nem artistas, mas deixa claro a falta de perspectiva para essa juventude.
Avaliação: Excelente
Documentário de João Wainer e Roberto T. Oliveira revela a cara da pichação em São Paulo. Jovens vindos da periferia percorrem a cidade, sobem em prédios e escalam muros para se divertir e chocar a burguesia com suas letras ininteligiveis. O filme não toma partido, não os mostra como vândalos nem artistas, mas deixa claro a falta de perspectiva para essa juventude.
Avaliação: Excelente
31 de outubro de 2009
Se eu soubesse, não iria.
Era Agosto quando eu joguei uma ideia na mesa de bar. "Acho que a gente devia ir pra Oktoberfest". Era uma mesa de bar, a sugestão foi muito bem aceita. Era Setembro e ninguém havia sequer mexido um pau para tentar colocar a ideia de Agosto em pratica.
Como fui eu quem fez todo o brainstorm, deixei a parte burocrática para os outros.
No meio de Setembro nós só tínhamos a certeza de que queríamos ir, e que talvez no ano seguinte não teríamos tanta preguiça para resolver toda a logística de uma viagem longa.
Mas eu estava obstinado. Fui resolver o primeiro problema, que era o da hospedagem. Vinte e sete superquinzes depois consegui um quarto de hotel para cinco pessoas por um preço absurdamente salgado. Não poderíamos pagar aquela quantia se o quarto fosse para doze pessoas, quanto menos cinco!
Mas com mais 7 ligações, encontrei a luz. Uma acomodação nas montanhas catarinenses que (como garantiu a dona da pousada) não corria risco de deslizamento. Um preço que combinava com nosso orçamento de bolso furado, e um depósito na conta bancária mais tarde tínhamos onde dormir e transporte ida e volta garantido para 6 pessoas.
Faço muito bem em lembrar que saímos no lucro com o lance do transporte. Andamos bem mais do que aquilo que pagamos. Na ida o ônibus quebrou, tivemos que passar por Curitiba para trocar de carroça e uma viagem que deveria durar aproximadamente 10 horas levou 15 para terminar. No ônibus a conta das horas perdidas (e ainda não podendo usar as pernas e por cima disso completamente sóbrios) colaborou para a frustração e raiva gigântica que sentíamos daquele motorista filho de uma meretriz.
Na chegada a Blumenau providenciamos um par de táxis, despachamos as malas, fizemos contato com os locais e demais turistas e descobrimos que o taxista era de Porto Alegre e torcia pro Flamengo! Não entraríamos naquele táxi de novo tão cedo, e logo rumamos para o centro, ladeira abaixo, onde, no Tunga, a festa estava começando a ficar quente.
Como manda a tradição, logo tomamos posse de um tirante e uma caneca cada. Eu poderia mentir e dizer que foi uma busca árdua e cheia de elementos sagrados, envolvendo toda a misticidade de estar presente na Festa da Cerveja, mas a real é que uns vinte e cinco reais resolveram essa parada, e o próximo passo era gastar esse mesmo valor e uns trocados mais na próxima hora em forma de líquido dourado chope. Ainda sobrou dinheiro para comprar um chapéu de poderes mitológicos que garantia ao usuário um boom de ânimo.
De tarde a festa é na rua. Alguns bares, muitas chopeiras, muita gente, música alta. De noite não é diferente, mas a festa sai da rua e vai para a Vila Germânica/PROEB. Na primeira noite Jesus nos mostrou o caminho, e ainda bem que ele estava lá, porque foi uma peregrinação de uns 50 minutos para chegar. Seria pouco se houvessem lugares para comprar mais cerveja no caminho. Como não tinha, o jeito foi ir meio seco, urinando quando necessário ou em químicos ou nas vielas, perdendo a embriaguez gota por gota.
Quando chegamos na Vila tive uma noção melhor do evento. Três galpões abarrotados. Se cada galpão tivesse um tema, o tema dos três seria cerveja. Chopes artesanais ou Brahma. Nas filas para trocar a ficha por combustível vários flertes. "Me pega um chopp?" era a frase mais inteligente para se dizer. Mas qual chope pegar? Eisenbahn? Bierland? Opa Bier? Todos tinham a mesma artilharia: um pilsen, um escuro, um de trigo, um de vinho (para as moças), mais fermentado, menos... Que se dane a química da coisa, você já chega lá no estado de não querer se preocupar com o sabor, mas os artesanais realmente eram a melhor opção, principalmente levando em conta que pra tomar chope Brahma aqui em São Paulo você pode ir no bar homônimo.
Foram dois dias e noites da mesma coisa. Acorda. Um almoço pra forrar. Festa na rua. Fila para pegar chope na rua. Caminhada pra vila. Fila para comprar entrada na vila. Festa na Vila Germânica. Fila pra comprar o chope. As mesmas músicas (todas curiosamente rimando com "pega no meu pau"). 04:30 a música acabava. 05:00 paravam de vender fichas. 6:00 paravam de servir chopp e davam a noite por encerrada. Tomamos chuva na volta nos dois dias, e íamos procurar um jeito de voltar para nosso quarto, entoando cânticos que denunciavam nossa paulistanidade, correndo, ou como eu gosto de pensar, simplesmente estando bêbados.
No último dia um almoço, arrumar as malas e se preparar mentalmente para encarar 10 horas de viagem. Na volta o ônibus não quebrou. Nos despedimos dos amigos no metrô, e cada um foi tocar sua vida. A caneca, o tirante, os espólios voltaram na mala, evidências de um acontecimento que não pode ser encarado com leviandade. Essa viagem está marcada na memória. Superou minhas expectativas, que eram muito altas. É uma pena ter que esperar tanto tempo para fazer isso acontecer de novo. A volta é arrasadora. Se eu soubesse, não iria. Agora resta esperar.
Hoje é fim de Oktober.
Como fui eu quem fez todo o brainstorm, deixei a parte burocrática para os outros.
No meio de Setembro nós só tínhamos a certeza de que queríamos ir, e que talvez no ano seguinte não teríamos tanta preguiça para resolver toda a logística de uma viagem longa.
Mas eu estava obstinado. Fui resolver o primeiro problema, que era o da hospedagem. Vinte e sete superquinzes depois consegui um quarto de hotel para cinco pessoas por um preço absurdamente salgado. Não poderíamos pagar aquela quantia se o quarto fosse para doze pessoas, quanto menos cinco!
Mas com mais 7 ligações, encontrei a luz. Uma acomodação nas montanhas catarinenses que (como garantiu a dona da pousada) não corria risco de deslizamento. Um preço que combinava com nosso orçamento de bolso furado, e um depósito na conta bancária mais tarde tínhamos onde dormir e transporte ida e volta garantido para 6 pessoas.
Faço muito bem em lembrar que saímos no lucro com o lance do transporte. Andamos bem mais do que aquilo que pagamos. Na ida o ônibus quebrou, tivemos que passar por Curitiba para trocar de carroça e uma viagem que deveria durar aproximadamente 10 horas levou 15 para terminar. No ônibus a conta das horas perdidas (e ainda não podendo usar as pernas e por cima disso completamente sóbrios) colaborou para a frustração e raiva gigântica que sentíamos daquele motorista filho de uma meretriz.
Na chegada a Blumenau providenciamos um par de táxis, despachamos as malas, fizemos contato com os locais e demais turistas e descobrimos que o taxista era de Porto Alegre e torcia pro Flamengo! Não entraríamos naquele táxi de novo tão cedo, e logo rumamos para o centro, ladeira abaixo, onde, no Tunga, a festa estava começando a ficar quente.
Como manda a tradição, logo tomamos posse de um tirante e uma caneca cada. Eu poderia mentir e dizer que foi uma busca árdua e cheia de elementos sagrados, envolvendo toda a misticidade de estar presente na Festa da Cerveja, mas a real é que uns vinte e cinco reais resolveram essa parada, e o próximo passo era gastar esse mesmo valor e uns trocados mais na próxima hora em forma de líquido dourado chope. Ainda sobrou dinheiro para comprar um chapéu de poderes mitológicos que garantia ao usuário um boom de ânimo.
De tarde a festa é na rua. Alguns bares, muitas chopeiras, muita gente, música alta. De noite não é diferente, mas a festa sai da rua e vai para a Vila Germânica/PROEB. Na primeira noite Jesus nos mostrou o caminho, e ainda bem que ele estava lá, porque foi uma peregrinação de uns 50 minutos para chegar. Seria pouco se houvessem lugares para comprar mais cerveja no caminho. Como não tinha, o jeito foi ir meio seco, urinando quando necessário ou em químicos ou nas vielas, perdendo a embriaguez gota por gota.
Quando chegamos na Vila tive uma noção melhor do evento. Três galpões abarrotados. Se cada galpão tivesse um tema, o tema dos três seria cerveja. Chopes artesanais ou Brahma. Nas filas para trocar a ficha por combustível vários flertes. "Me pega um chopp?" era a frase mais inteligente para se dizer. Mas qual chope pegar? Eisenbahn? Bierland? Opa Bier? Todos tinham a mesma artilharia: um pilsen, um escuro, um de trigo, um de vinho (para as moças), mais fermentado, menos... Que se dane a química da coisa, você já chega lá no estado de não querer se preocupar com o sabor, mas os artesanais realmente eram a melhor opção, principalmente levando em conta que pra tomar chope Brahma aqui em São Paulo você pode ir no bar homônimo.
Foram dois dias e noites da mesma coisa. Acorda. Um almoço pra forrar. Festa na rua. Fila para pegar chope na rua. Caminhada pra vila. Fila para comprar entrada na vila. Festa na Vila Germânica. Fila pra comprar o chope. As mesmas músicas (todas curiosamente rimando com "pega no meu pau"). 04:30 a música acabava. 05:00 paravam de vender fichas. 6:00 paravam de servir chopp e davam a noite por encerrada. Tomamos chuva na volta nos dois dias, e íamos procurar um jeito de voltar para nosso quarto, entoando cânticos que denunciavam nossa paulistanidade, correndo, ou como eu gosto de pensar, simplesmente estando bêbados.
No último dia um almoço, arrumar as malas e se preparar mentalmente para encarar 10 horas de viagem. Na volta o ônibus não quebrou. Nos despedimos dos amigos no metrô, e cada um foi tocar sua vida. A caneca, o tirante, os espólios voltaram na mala, evidências de um acontecimento que não pode ser encarado com leviandade. Essa viagem está marcada na memória. Superou minhas expectativas, que eram muito altas. É uma pena ter que esperar tanto tempo para fazer isso acontecer de novo. A volta é arrasadora. Se eu soubesse, não iria. Agora resta esperar.
Hoje é fim de Oktober.
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