13 de abril de 2010
Jogo de culpa
8 de abril de 2010
Começo de temporada
Para qualquer efeito, o texto do começo de temporada 2009 da Fórmula 1 aqui.
17 de março de 2010
♫...quando o meu time jogar...♫
Quando um time joga em casa, e o tempo está ruim, e nós torcedores não queremos ir no estádio (e muito menos pagar 45 reais para assistir pela TV), sempre apelamos para o amigo rádio. O poder do rádio é impressionante. O rádio deveria ser batizado como “amigo da hora ruim”. O jogo não passa, ele está lá. Entramos no carro sem tempo de ler o jornal, ele está lá. Estamos no trânsito, ele está lá. Queremos saber por qual razão estamos no trânsito, e ele está lá. Até quando tivemos o Apagão 2009, o rádio nos manteve informados sobre o que diabos estava acontecendo.
Domingo porém, foi um dia triste. O rádio não estava lá. Fiquei caçando no dial AM e FM. Nada. Houve, contudo, algumas surpresas. A Jovem Pan, por exemplo, emitiu nas ondas AM e FM a mesma transmissão de Santos x Palmeiras. Isso eu achei engraçado, principalmente por causa de um senhor chamado Flávio Prado.
Sabem, o Flávio Prado, nas coberturas esportivas da Pan em jogos brilhantemente narrados pelo Nílson César, normalmente aponta fatos que ele, com todo o direito, considera errados. Por exemplo ao demonstrar sua indignação quando os times não estão perfilados no gramado para a reprodução do hino nacional. Ou ainda quando a Globo, no campeonato brasileiro, tem exclusividade para fazer entrevistas dentro de campo, enquanto jornalistas de rádio devem esperar que os jogadores saiam das quatro linhas.
Com aquele ar de defensor das causas públicas, o Flávio Prado costuma dizer que esse tipo de tratamento com as rádios, “amigas da hora ruim”, é um desrespeito com o cidadão, que tem o direito a informação. É claro que todo esse discurso vai por água abaixo quando você tem duas frequências de rádio e transmite as mesmas informações em ambas. Mas é importante que o Flávio Prado ao menos aparente ser esse tal defensor, sempre zelando pelos direitos e patriotismo que todos nós merecemos.
Claro que entendo que o apelo de um clássico é muito maior do que o jogo de um time reserva que já não joga bem com os titulares contra um time na zona de rebaixamento. Por outro lado, é uma estratégia muito idiota não transmitir o jogo feio quando todas as emissoras cobrem um único jogo, inclusive em suas modulações AM e FM.
Pode, é claro, existir a chance de a detentora do sistema Pay-Per-View ter proibido a transmissão por parte das rádios. Não me surpreenderia. Eles podem mudar o horário do jogo, a fórmula de disputa do campeonato e até, como cita o Flávio Prado (e é preciso dar o braço à torcer), a permissão de quem entra e sai do campo para fazer entrevistas. Não seria grande surpresa que seja esse o motivo, afinal é a segunda vez que o caso ocorre em um jogo do São Paulo e começo a suspeitar que esse finalmente seja o esquema sujo que encontraram para “atrair” mais assinantes para o canal pago.
Ainda assim, existem bons samaritanos que hackeam esse mesmo sinal pago e o distribuem gratuitamente para os menos afortunados. A internet, graças aos seus usuários altruístas, é a nova amiga da hora ruim. Faz as mesmas coisas que o rádio. E ainda tem pornografia. Honestamente, o brasileiro tem a mídia que merece, cheia de falso moralismo e uma dose considerável de putaria.
8 de fevereiro de 2010
Podcast #2
Lembre-se: Para sugestões, críticas, mexicanos bravos: barbiturico.blog@gmail.com
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3 de janeiro de 2010
28 de dezembro de 2009
Mapa astral
Como estamos no Brasil, 2009 começou, no blog, só em fevereiro. E começou nervoso, com uma peleja insana envolvendo a divisão de ingressos entre times do Paulistinha. Opiniões parciais e argumentos enviesados esquentaram o pseudo-debate, como numa boa mesa redonda da televisão. Logo em seguida, rolou um texto que colocou no mesmo ringue Marcelo Camelo e Little Joy, mas que acabou em empate técnico graças ao meu relativismo cultural pós-kantiano.
Em março, em tom solene e piegas, saiu do forno uma homenagem tardia aos quatro anos de morte de Hunter Thompson – pessoa que é uma espécie de guru deste blog – com direito a considerações do jornalista André Pugliesi nos comentários. Falando no figura, surgiu depois a resenha de uma partida qualquer do Paulistinha que não valia nada e que ficou muito pior que as narrações empolgantes e acuradas do Jornalista de Merda. Em seguida, uma análise inicial sobre a temporada de F-1 apontou, com o dedo em riste, que essa história de nova F-1 que anunciam todo ano não passa de pura patifaria. Essa opinião seria complementada num texto posterior.
Em abril, foi postada uma crônica sobre o ócio que teve como ponto alto a citação de um livro de Lourenço Mutarelli. No mesmíssimo mês, apareceu uma corajosa resenha sobre o mítico CD do Ronaldo e os Impedidos, que foi massacrado pela crítica especializada e por mim também. E emendando o assunto, largaram por aqui um texto sobre o julgamento do Pirate Bay alinhada com uma trivial crítica à indústria fonográfica, dando corda à velha história que nunca termina.
Prova disso é que, em maio, um post que não era um post serviu para complementar o papo anterior sobre as gravadoras com um desenho do tinhoso no clássico estilão "soviet way of life". E mudando totalmente de assunto, repousou-se aqui uma peça acusadora sobre a novela da saída dos times mexicanos da Taça Libertadores da América de 2009, colocando todo o carma negativo nas costas da Conmebol. E para terminar o mês, uma resenha do álbum de estreia do Fleet Foxes, mais uma dessas boas bandas que surgem por aí de vez em quando.
Depois disso, o blog entrou em recesso e só voltou em agosto, com um texto ao estilo Seinfeld, sobre o nada. E ficou por isso mesmo.
No nono mês do ano, a pauta sobre F-1 ressurgiu em uma análise de meio de temporada com direito a uma abertura no melhor estilo kafkiano de escrever: "Hoje pela manhã, estava me desfazendo da janta e lendo o jornal". Depois, uma resenha da tão alardeada remasterização do catálogo dos Beatles, cheia de especulações e falsas certezas.
Em outubro, sobrevoou por aqui um estudo sobre a nova geração das animações em 3-D, tendo como pano de fundo o filme "Up! - Altas Aventuras". Depois, no melhor estilo David Letterman, mostramos as dez razões para não acreditar em listas. E ainda sapecaram um relato emocionante sobre os medos e delírios na Oktoberfest 2009, na qual estive de corpo presente e mentalmente nem tanto.
Em novembro, uma opinião polêmica sobre jogos adventures dividiu o blog. As divergências foram levadas às últimas consequências com um texto que atravessou os confins da web 2.0: começou no Twitter, continuou no Orkut e terminou aqui, sem vencedores ou perdedores. Depois de a paz ser selada em um bar, voltamos ao ritmo normal com uma análise fria, porém sincera, sobre as causas do São Paulo não ter sido campeão brasileiro este ano.
Por fim, em dezembro, um texto que mistura filosofia de banheiro, gatos tocando piano, duas garotas e um copo e Kevin Smith. E para finalizar, mais uma resenha de álbuns, desta vez da estranhíssima Susan Boyle, que fez uns covers à la Emmerson Nogueira só que ao estilo Andrea Bocelli. E tem também esta retrospectiva que você está lendo agora.
É isso aí, moçada. 2009 já era, agora só em 2010.
29 de novembro de 2009
Onde o São Paulo perdeu o título
Na minha opinião o São Paulo perdeu o título no empate com o Grêmio.
Ali perdeu sua única vantagem sobre os outros times: o plantel.
Se você parar para pensar, todo o time entrou em campo achando que aquele jogo contra o Grêmio seria o jogo do campeonato. O sistema defensivo do São Paulo (que vem falhando constantemente, algo curioso para a melhor defesa do campeonato) não deu conta da pressão, exagerou nas faltas e dentro de campo o São Paulo perdeu dois titulares e um bom reserva.
Mas é engraçado pensar. O São Paulo entrou em campo com uma mentalidade de guerrilha contra o único mandante invicto do campeonato, e para sair com um ponto de lá perdeu dois jogadores titulares. Sem eles, perdeu três pontos do segundo pior mandante (Botafogo) e outros três de um time que não disputa mais nada no campeonato (Goiás).
Logo depois deste argumento vem a famosa sigla: STJD.
Se você parar para pensar, o STJD pegou um pouco pesado com Dagoberto e Jean. Não posso falar que o Jean faria muita diferença contra o Botafogo porque não sei como o Ricardo Gomes montaria o time se ele pudesse jogar ou qual alterações faria. Posso dizer que seria um bom jogador a mais, daqueles que não precisam jogar muito bem para em um lance fazer a diferença.
Mas o problema maior mesmo foi no ataque. o Dagoberto era um jogador em boa fase e com certeza fez falta. E para piorar, o substituto direto no ataque do São Paulo também estava suspenso (com razão).
Mas eu realmente acredito que se o Dagoberto tivesse jogado os jogos contra Botafogo e Goiás, a coisa seria diferente.
É aquilo que eu disse, e vou repetir: O São Paulo entrou em campo com uma mentalidade de guerrilha contra o único mandante invicto do campeonato, e para sair com um ponto de lá perdeu dois jogadores titulares. Sem eles perdeu três pontos do segundo pior mandante e outros três de um time que não disputa mais nada no campeonato.
Há um erro em colocar na cabeça do jogador de futebol que, em um campeonato de pontos corridos, exista um jogo importantíssimo de ganhar. Todo jogo vale três pontos e todos os times se enfrentam. A prova disso é o Palmeiras ter liderado quase metade do campeonato e agora ter as mesmas chances de ser campeão que outros dois times: Dependem exclusivamente de uma derrota do Flamengo.
Resumindo. Na tentativa de ganhar na raça, o São Paulo ganhou um ponto e perdeu 6. Agora torce para que aconteça na última rodada o que aconteceu no campeonato inteiro: esperar o líder entregar a taça para outro.
22 de novembro de 2009
Uma discussão muito longa que poderia estar nos comentários do último texto, mas resolveu ficar por aqui para ganhar um título gigante.
*Os fatos relatados estão em ordem de acontecimento, mas também respeitam a linha de raciocínio dos participantes sem delimitar os 140 caracteres impostos pelo Twitter. Assim começa:
@igor03 em 19/10: Quem passa na repescagem pra Copa: França, Portugal, Grécia e Rússia. Pronto, não precisa mais perder tempo assistindo.
@igor03 em 18/11: Da previsão que eu fiz sobre a repescagem europeia da Copa, só errei o da Rússia. Puta merda, justo o da Rússia.
No dia 19/11 começam as brincadeiras e ataques entre os dois ex-amigos. O que vem a seguir é um conteúdo de baixo calão e linguagem explícita onde um responde ao outro as verdades ácidas que corroeram laços de amizade:
@Aoleite: Está na hora de aprender que no futebol não tem essa de "previsão". Tem chute. Tem chute por causa de lances como o de mão da França.
@igor03: Sem dúvidas. Mas, por mim, a França poderia ter ficado de fora da Copa. A Rússia, não.
@Aoleite: Olha cara... Acho que essa obsessão comunista pós-comunismo no esporte não é saudável. Já tem dois países camaradas participando...
Futebol russo é bem ridículo. Eslováquia e Eslovênia podem apresentar um futebol diferente do que estamos acostumados a ver.
@igor03: Ah claro, a Rússia é mto comunista. Se liga, o barato é de outro nível. É independente do sistema econômico, como torcer pro Japão.
@Aoleite: Uma das razões para eu dizer isso é o fato de você ter uma camisa vermelha com os dizeres CCCP. Mas caso não tenha lido minha mensagem: obsessão comunista pós-comunismo. Mas é claro, se você só está triste porque o Arshavin não vai jogar, por favor desconsidere meus comentários
@igor03: Defina "futebol diferente". Albânia deve ter um futebol diferente também. Você viu a Euro-2008? Poucos times me empolgaram tanto quanto aquele esquadrão russo. Mas lógico que nada justifica não ter capacidade de eliminar a Eslovênia. Nem que fosse com mão na bola.
@Aoleite: Diferente é tudo aquilo que você não conhece. Conhece o futebol na Eslovênia? Na Rússia, campeonato nacional, o jogo é bem ruim. Passa na ESPN e tudo mais, e, não sei se você viu, mas a base da seleção joga lá. Você conhece os jogadores. Você sabe que não vai sair muita coisa boa. Pelo seu pensamento Coréia do Norte não merece jogar uma copa e surpreender... é isso? Euro2008 é diferente de Copa2010. Grécia já foi campeã. Rússia pode ter te encantado o que for, mas se até a Grécia já foi campeã e a Rússia não...
Aí o cara que eu pensava conhecer antes deste acontecimento levantou a virtual mesa de bar e quis ganhar a conversa no tapetão:
@igor03: Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Acho que Twitter não foi feito pra isso.
E eu tive a chance de retrucar:
@Aoleite: Agora você quer discutir a utilidade do Twitter... Meu Deus, que argumentação ridícula é esta?!
As contas do Orkut se abriram, e assim continuou a discussão:
Igor:
1) Não defendo um comunismo ao estilo soviético. Aliás, nem defendo o comunismo em si. Você está querendo me atingir para deslegitimar meu discurso.
2) Na sua defesa por um futebol diferente, poderíamos tirar a Inglaterra, que tem um estilo mais consagrado, e colocar a Tailândia que ninguém sabe do que são capazes.
3) Duvido muito que Coreia do Norte (um país comunista) faça algo surpreendente nesta Copa. Coreia do Sul foi um caso a parte em 2002, pois jogava em casa, foi beneficiado pelo arbitragem e tinha um baita técnico (aliás, o mesmo que treina a Rússia).
4) Euro2008?Copa2010. Aceito essa condição. Mas, não totalmente. Senão, por que todos põe a Espanha como favorita? No máximo, ela vai ganhar dos europeus. E a Rússia fez uma boa campanha nas eliminatórias.
5) Não sou ninguém para dizer a utilidade do Twitter. Vou deixar isso pra quem analisa a imprensa no Irã, o que não é meu forte.
Andre:
1) Com certeza quero deslegitimar seu discurso. Não tem graça entrar na discussão se você não vai
a) Mudar a opinião da pessoa e/ou
b) Fazer ela passar por idiota ou coisa parecida
2) Por favor não leve todas as palavras ao pé da letra sem interpretação do conteúdo da discussão. O Futebol da Inglaterra é igual, mas como você disse, é um futebol consagrado. O que estou implicando em minha tese é que o futebol russo é ruim a tal ponto (na minha opinião, é claro) que me estimula a ver até um estilo de jogo que eu não conheça, mesmo que depois, ironicamente, eu descubra que o futebol tailandês não tenha nada de diferente do azerbaidjano
3) Você pode duvidar, mas como eu disse anteriormente (e inclusive foi o ponto inicial dessa discussão) o futebol não se prevê. As chances são mínimas para a Coréia do Norte, sim. Mas só descobriremos o quão longe ela vai chegar no meio do ano que vem.
4) Espanha é favorita por ter sido campeã da Euro e por apresentar um bom futebol. A Rússia jogou uma boa Euro, não foi campeã e foi tão bem nas eliminatórias que teve que disputar a repescagem.
5) Vou concordar em discordar.
Meu agora adversário usou uma língua morta (o que em si já é um golpe baixo nas leis não-escritas da argumentação) para confundir meu raciocínio. Tive que usar o google para entender o que ele quis dizer. Retomemos:
Igor:
1) O problema de usar o argumentum ad hominem é que ela não deslegitima o discurso, só a pessoa, e, por isso, não muda a opinião de ninguém.
2)O que me faz pensar que a seleção russa tinha potencial pra surpreender na Copa é justamente isso. Ninguém realmente espera muita coisa deles. O grande diferencial realmente é o técnico Gus Hiddink.
3) Porra, no Twitter eu concordei que não existe essa coisa de previsão. Senão, eu tava feito na Lotogol. Mas, a questão é a seguinte: você diz que a seleção da Rússia é ruim pq os jogadores jogam no péssimo campeonato russo. Mas diz que a Coréia do Norte pode surpreender na Copa. Então, sabendo que a maioria dos jogadores do selecionado jogam lá, o campeonato norte-coreano é melhor que o russo?
4) Tá, mas nem eu esperaria que a Rússia fosse campeã da Copa. Só esperava que batesse uns times (teoricamente) mais fortes que ela. E se ela jogasse como jogou na Euro, ganhava fácil. E quanto às eliminatórias, mesmo para conseguir ir pra repescagem, para a Rússia foi mais tranquilo do que para Portugal e França.
5) Discordar do quê? Que eu não manjo nada de imprensa iraniana?
Andre:
1) Bom, então por favor aplique a opção B que lhe dei em minha resposta anterior.
2) Então vamos torcer para ele assumir a África do Sul no lugar do Parreira.
3) Não digo que a Coréia pode surpreender na Copa. Digo que ela pode ou não pode e eu vou esperar para ver. Com relação à segunda parte do terceiro quesito, não sei se o campeonato coreano é melhor que o Russo. Como a ESPN não passa o campeonato coreano, prefiro que a Coréia vá à Copa para eu saber mais a respeito do que ver a Rússia jogar.
4) Foi mais tranquilo e, ironicamente, Portugal e França estão na Copa e Rússia não. Como diria Muricy Ramalho, futebol é resultado meu filho.
5) Discordar da inclusão do argumento como quebra-gelo para uma discussão outrora séria.
Igor:
1) Não porque a opção B também não funcionou. Só se eu estivesse na época da ditadura, em que comunistas viravam carne moída.
2) Tomara. Aí sim, seremos surpreendidos novamente.
3) Bom, mas Coreia do Norte ou qualquer outro selecionado só poderá ser surpresa se rolar uma expectativa, os tais "chutes". Se em todos os jogos, os comentaristas falarem "olha, o time X é bom, mas o Y pode surpreender", então eles são servem para nada. E outra coisa, se a ESPN não passasse o campeonato russo, você torceira efusivamente para a Rússia contra a Eslovênia?
4) Sim, foi incompetência do time não ter se classificado, nunca neguei isso. Mas a comparação que estávamos fazendo é sobre uma Espanha com chances de ser campeã contra uma Rússia com chance de jogar bem a Copa.
5) Mas foi você quem polemizou com a questão do Twitter. Só disse minha opinião.
Andre:
1) De novo uma questão de ponto de vista.
2) Muito original sua colocação. Vai divertir os macacos de plantão.
3) Comentaristas não servem para nada. Você acompanha futebol? Posso te dizer o que cada comentarista vai falar nos próximos três jogos do campeonato brasileiro de um time da sua escolha e apostar que o que eu vou dizer não vai ficar muito diferente do roteiro do comentarista. E, caso a ESPN não passasse o campeonato russo nem o esloveno, não torceria por A nem B. Parece que você ainda não entendeu meu argumento nesse quesito.
4) Claro, são duas coisas diferentes (sem sarcasmo aqui). Minha opinião é a seguinte. Espanha tem chances de ser campeã (jogando bem ou mal) Rússia tem chances de jogar bem a Copa (ou qualquer outra competição, como a Euro). O único problema é que Rússia não está na Copa, não é mesmo?
5) Muito pelo contrário. Quem polemizou a questão foi o senhor, ao dizer que o twitter não serve para tais fins.
Citação rápida: "Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Acho que Twitter não foi feito pra isso."
Ponto final na questão 5. A culpa é do senhor!
A troca de acusações não saiu barato:
Igor:
1) Se há alguma objeção, argumente sem medo.
2) Ótimo argumento. Sócrates ficaria orgulhoso de tal raciocínio.
3) Tá bom, então no mundo ideal nós deveríamos abolir os comentaristas, assim como os colunistas de jornais, as mesas redondas e dar um brinde à isenção jornalística. O que eu entendi do seu argumento, em linhas gerais, é o seguinte: acho o campeonato russo uma bosta e como a maioria dos jogadores da seleção russa jogam lá, logo a seleção é uma bosta. Por isso, você trocaria facilmente os russos por uma outra seleção qualquer. Estou errado?
4) Sim, mas a discussão começou quando foi dito que uma coisa é jogar a Euro e outra é jogar a Copa. Até a Grécia entrou na história. E eu disse que isso era relativo. Mas uma coisa que você disse é certa, o time atual da Rússia pode jogar bem qualquer competição. Desde que não faça que nem no jogo de volta da repescagem.
5) "Vou te responder pelo Orkut, pq não quero lotar desnecessariamente minha timeline. Ac
Andre:
1) O simples fato de você levar isso a sério já me faz pensar o quanto meu argumento funciona (para mim, é claro)
2) A recíproca é verdadeira.
3) É muito legal como você coloca palavras na minha boca até quando a conversa é digital. Sim, com raras excessões comentaristas vão se abster de dar opiniões próprias e seguir o discurso padrão. Como eu já conheço esse discurso, considero-os dispensáveis. A seleção da Rússia é uma bosta por causa de diversos fatores. Este pode ser um deles. Meu argumento se baseia no simples fato de eu preferir conhecer outras culturas de futebol do que as que eu conheço e não me agradam. Como tudo na vida, é um gosto pessoal. Assim como o seu gosto por futebol russo, que na minha brincadeira (que você começou a levar a sério) se deve à ideologias políticas passadas, tem uma razão única de ser.
4) Então concordamos. Eu também disse ser relativo. Se não me engano, muito da discussão também se deve a isso: O fato de um time poder jogar bem ou não independente de sua força (Na minha opinião o futebol russo é fraco, isso não os proíbe de fazer boas partidas)
5) Se o Twitter não foi feito para twittar (ou, como você diz, "lotar desnecessariamente a timeline") não vejo outros motivos para Twitter existir, ergo minha colocação se mantém apropriada. Opinião pessoal, novamente...
Igor:
1) Falou bem. O argumento funciona pra você e mais ninguém. Ponto final.
2) A recíproca é verdadeira.
3) Ué, mas você disse anteriormente que comentaristas não servem pra nada. Só reforcei a ideia.
O grande imbróglio aqui é o seguinte: você acha que a seleção russa é dispensável porque você supostamente já conhece-a e não gosta dela. OK. Mas eu acho que ela é supostamente boa, principalmente pelo que apresentou na Euro 2008. Sobre aparecer um futebol diferente não é a questão. Ela está sendo usada aqui como um pé de apoio.
4) Exato.
5) Não disse que não foi feito para twittar, mas sim para fazer debates extensos. Aí fica aquela coisa do reply ad eternum, com a timeline lotada de mensagens pela metade, sem falar que não dá pra fazer bons argumentos com 140 caracteres.
Andre:
1) O ponto 1 está encerrado.
2) O ponto 2 está encerrado por repetição.
3) Li o tom de sarcasmo da mensagem e respondi. A questão não é sobre aparecer um futebol diferente, de fato. Mas é um dos argumentos para eu não me importar com a classificação da Eslovênia sobre a Rússia, diferente de você, que esperaria boas apresentações do time.
4) Ok.
5) Concordo com a questão dos 140 caracteres, mas para mim o senhor foi quem fugiu da raia, claramente porque se sente mais inseguro com as respostas instantâneas do twitter que não lhe dão tempo de escrever termos em latim com a paciência que o senhor gostaria.
Estamos perto do fim:
Igor:
1) Ok
2) Ok
3) Ok
4) Ok
5) Não vou responder porque você desferiu um ataque pessoal desnecessário. Se quiser resolver na mão, tamos aí.
Andre:
5) Você quer ditar de novo as regras do jogo. Primeiro não vale Twitter, agora não vale Orkut. Estou pronto para resolver essa parada de todas as formas primitivas possíveis!
Igor:
5) Mostra aí quando eu disse que não vale Orkut. Só não quero me sujeitar a responder ataques pessoais que não entram no caso.
Andre:
5) Na verdade todos os ataques são pessoais partindo do princípio que você está defendendo sua opinião e eu a minha.
Igor (respondendo em sua própria janela de recados):
5) Olha a retórica. Não vou me dar ao trabalho de explicar o termo técnico de ataque pessoal. Muito menos o significado de argumentação.
Andre:
5) Então por favor não explique. Tenho um dicionário aqui ao meu lado e posso consultá-lo quando achar necessário. E sim, já estou respondendo a mensagem que você ainda nem conseguiu mandar para mim!
Aí fomos tomar uma cerveja e a discussão terminou em pizza.
19 de outubro de 2009
10 razões para não acreditar em listas
Conheça agora os dez motivos para não acreditar em listas:
8) Listas baseadas em média de notas normalmente não dão muito certo. Ou como explicar que o nada criativo GTA IV esteja em segundo lugar no GameRankings?
7) O critério de uma lista pode até ser científico, mas eles não resistem aos "ses". Nada contra dizer que Pelé é melhor que Maradona porque ganhou mais títulos e fez mais gols. Mas e se Pelé tivesse jogado na Europa? E se o campeonato brasileiro fosse minimamente mais organizado nos anos 60? Como ele jogaria no esquema tático pós-Carrossel Holandês? Ou com o nariz cheio de pó?
6) Como já mostrava o filme "Alta Fidelidade", o que importa numa lista são os cinco primeiros. O resto poderia ser embaralhado que dava na mesma.
5) A maior prova de que muitas listas são feitas de qualquer jeito é o famoso caso do jogador moldavo Masal Bugduv, que foi incluído na lista das 50 maiores promessas do futebol pelo The Times sendo que ele sequer existe. Bugduv não passava de um "hoax", termo usado na internet para "pegadinha do Mallandro".
4) Listas nada mais são do que um reflexo do presente. Na eleição dos melhores álbuns brasileiros, "Acabou Chorare", dos Novos Baianos, ganhou menos pela sua importância histórica do que pelo revival tropicalista que rolava há uns três anos por causa do retorno dos Mutantes. Se uma lista desta for feita novamente hoje, o resultado certamente será diferente.
3) Normalmente, listas são lotadas de obviedades. A de melhor álbum de todos os tempos sempre vai ter um dos Beatles, assim como o de melhor filme sempre será "Cidadão Kane". E quem não seguir esse dogma, corre o risco de ser crucificado e acusado de querer aparecer. Se é assim, para que fazer uma lista, então?
2) Quando a questão é fazer uma lista democrática, esbarra-se em um dilema: deixar o público eleger ou não? Se sim, corre-se o risco de ter o resultado facilmente adulterado na internet pelo pessoal do 4chan. Caso contrário, pode acontecer o que já foi relatado no item nº 3, já que jornalistas costumam pensar em bloco.
1) A função social de uma lista não é sua capacidade de emitir supostas premissas ou verdades, mas de causar confusão. Quanto mais pessoas discutirem e contestarem seu resultado em uma mesa de bar, melhor.
Portanto, siga essas recomendações e não acredite nela. A verdade é que listas são legais pra cacete, ainda mais quando podemos criar nossas próprias.
4 de setembro de 2009
Meio de Temporada.
Enquanto Reginaldo estava falando em sua coluna da apreensão e alegria que existe em dar o furo, pensei em reescrever o panorama da Fórmula 1 feito no começo da temporada. Quando o Rubinho venceu o GP da Europa eu só vi as voltas finais da corrida, mal podendo considerar essa a segunda corrida que vi no ano. Mas depois de uma vitória brasileira confesso ter me empolgado para assistir a corrida de Spa-Francochamps. Foi realmente engraçado, porque foi a segunda largada que vi na F1 2009 e a segunda vez que o carro do Rubens não saiu do lugar. Pelo que sei das outras corridas meu aproveitamento em ver largadas falhas de Barrichello está em 66%.
Mantenho meu discurso: O melhor carro será campeão. As montadoras que disputam o campeonato são, como sempre, Mercedes, Renault e Ferrari. É bem verdade que as duas primeiras estão representadas por Brawn e RBR respectivamente, mas não deixa de ser igual aos anos anteriores.
Por outro lado, se agora me perguntassem qual piloto terá maiores chances de ser campeão entre os quatro primeiros colocados (Button, Barrichello, Vettel e Webber) diria que tudo vai depender mesmo é da sorte de cada um. Ainda assim, vale lembrar que Button e Vettel usaram um motor a mais que seus companheiros de equipe. Com um número limitado de motores para a temporada, essa pode ser uma grande diferença de performance, especialmente nas últimas duas etapas. Portanto, como em todo esporte que não tem mata-mata, ganha quem for mais regular.
Meu destaque final vai para meu companheiro blogueiro de aventuras Igor, que disse a única verdade definitiva da Fórmula 1: “Ross Brawn é o Eric Clapton da F-1”, e também para a ótima piada que fiz do Reginaldo Leme. Um abraço para todos os jornalistas que, assim como ele, sabem como é difícil dar o furo, mas gratificante e recompensador.
14 de maio de 2009
Gol contra à la Oséas da Conmebol
Primeiramente por uma questão prática: qual a razão de colocar times mexicanos na Libertadores senão pela questão financeira? É sabido até pelo reino mineral™ que se um time mexicano vencer a competição, ele não irá disputar o Mundial de Clubes, já que representa a Concacaf. Então para quê esse crossover? Só para ganhar uma grana, como em Mortal Kombat vs DC. Se a Conmebol fosse mais esperta, daria um jeito de colocar equipes da MLS no torneio e faturar um tusta (e não é de se duvidar que isso aconteça, principalmente quando se lembra que o Japão já disputou a Copa América).
Segundamente, pela sua inépcia em resolver a questão. É verdade que diversas opções foram colocadas na roda, mas sempre havia um empecilho. Primeiro pensaram em transferir o jogo de ida dos times mexicanos para a Colômbia, mas o país de Pablo Escobar não quis, com medo de que a gripe suína fosse trazida pelos jogadores. A mesma desculpa esfarrapada foi dada pelo Chile e Peru. Mas, mesmo sabendo que essa premissa era falsa, a entidade sul-americana não moveu um mol de palha para demovê-los dessa ideia. O México até sugeriu receber a partida em portões fechados, como já estava rolando no campeonato local, mas o São Paulo e o Nacional disseram que não pisam no país nem à base de porrada. A decisão é polêmica, mas em se tratando de atletas, todo cuidado com a saúde é pouco.
Com o impasse, a Conmebol teve a infeliz ideia de realizar jogo único no Brasil e no Uruguai e os mexicanos, logicamente, disseram não. E realmente não faz nenhum sentido eles gastarem com transporte e hospedagem para entrarem em campo em situação de teórica desvantagem. A entidade, então, mandou os chicanos para escanteio e classificou automaticamente os times sul-americanos para as quartas-de-final. O interessante é que essa decisão conseguiu ferrar todos os quatro times, logicamente com maior malefício aos mexicanos, já que eles jogaram seis partidas de bobo -assim como faziam desde 1998. Enquanto isso, os outros dois times não faturarão com a renda dos ingressos e dos direitos televisivos.
Por causa disso, a Conmebol vai criar esse tremendo mal estar entre as duas confederações -presumindo, é claro, que a Concacaf vai assumir as dores da FMF, que preferiu sair fora de todo esse circo. Daqui para frente, México na Copa América só no Winning Eleven.
15 de abril de 2009
Jogador é jogador, músico é músico e jogador-músico é jogador-músico
Em 1997, quando ainda atuava pelo time paulista, ele decidiu formar uma banda, alcunhada Ronaldo e os Impedidos, e que resultou em um álbum homônimo. É de se perguntar como é que ele conseguia treinar, ficar em concentração, jogar nos fins de semana e ainda sair em turnê, mas isso poucos podem responder. O caso é que a audaciosa empreitada artística provou de uma vez por todas que não é juntando duas coisas legais, como futebol e rock, que necessariamente vai resultar em algo bom.
Isso porque, no conjunto da obra, a qualidade musical do disco não passa do mediano, porém há um detalhe sórdido: o peso do lado exótico nisso tudo. Assim como essas bandas nada a ver de hoje em dia, como Cansei de Ser Sexy, Ronaldo e os Impedidos estavam envoltos por uma aura de ruidosa curiosidade, como se as pessoas se perguntassem: "Isso é para valer ou estão tirando uma com a minha cara?" Aos incautos, só restava arriscar e nem todos devem ter levado isso numa boa.
Por exemplo, parece faltar consistência ao som da banda. Tanto que um amigo meu disse, com absoluta razão, que parece aqueles grupos que tocam nos barzinhos de rock da 13 de Maio, em São Paulo. Não que isso seja muito ruim, mas também não é bom. Os Impedidos parecem ficar entre o blues, passando pelo hardrock dos anos 70 e desaguando vergonhosamente no pop rock dos anos 90, em que se mistura o pior do ska, do punk e do hardrock em um massa amórfica sem sabor. Mas para dizer que não falei das flores, o guitarrista solo é muito bom e consegue se destacar facilmente. Mas, no geral, sinto que faltou o dedo de um bom produtor nessa história.
O que impressiona mesmo são as letras, embora ainda não tenha certeza de quem seja o autor (inclusive, faltam informações confiáveis desse CD na internet. Sem falar que é impossível achá-lo no Mercado Livre, o que dá a impressão de ser tão raro quanto o mítico LP Racional, do Tim Maia). Lógico que é preciso levar em conta que o que estava em voga na época eram bandas como Companhia do Pagode, Tiririca e Katinguelê, então é difícil fazer uma comparação minimamente justa.
Em "Linda Mulher", a canção que abre o álbum, a banda faz uma homenagem ao filme Uma Linda Mulher (O RLY?). Na música, Ronaldo canta as agruras e os sonhos das mulheres da vida, com direito a uma frase filosófica: "Preço está no que se perde e não no que se vende", colocando uma pimenta na lógica marxista de que o trabalhador vende sua força de trabalho ao dono dos meios de produção. Nesse caso, a profissional estipula o preço não tomando como base seu valor produtivo, mas naquilo que ela poderia fazer se não estivesse trabalhando, o que não faz nenhum sentido.
Na segunda faixa, "Ouro no Dente", Ronaldo parece tratar de coisas ocultas, como aparições macabras no meio da noite em plena encruzilhada. Saca só o clima sinistro: "Começou a escurecer, fiquei com medo/ Sai correndo e me perdi", narra o ex-goleiro, ao ritmo de rock blues. Mas o detalhe inusitado é que o tal tinhoso tinha "ouro no dente". Lógico que o goleiro, que não é bobo nem nada, não ficou para perguntar e picou a mula sem olhar pra trás, deixando a besta-fera comendo poeira.
Na música seguinte, infelizmente, a banda destroi o clássico "Proud Mary", do Creedence Clearwater Revival, em uma versão bem mal-feita, então não vou nem comentar. Mas, em seguida está a canção de trabalho deles, "O Nome Dela", uma música de amor e amnésia (alcóolica, provavelmente). Tudo leva a crer que o cara estava tão loki que não lembrava nem do nome da garota e, certamente, tomou um pé na bunda da tal desconhecida -caso contrário, ela fez um péssimo negócio. Em se tratando de melodia é a melhor música do álbum, já que adota aqueles elementos básicos para uma canção de sucesso: refrão pegajoso, riff simples que atravessa a música inteiro, e o uso correto de backing vocals.
Na única balada do disco, "Mesmo que eu me engane", Ronaldo mostra estar mais angustiado do que um goleiro na hora do gol. Na real, essa música de amor, enfeitada só pelos acordes de violão, parece uma continuação da anterior, como se a sobriedade tivesse batido como uma pedra pesada, já que nessas horas o lamento é seu melhor amigo.
E para barbarizar, em "Rockixe"*, o polêmico goleiro parece rasgar o verbo para falar do universo das drogas, como o haxixe, que há anos alimenta o rock. Ao que parece, é uma canção cifrada e sem sentido, como fazia Bob Dylan antes de virar um coroa pé-no-saco. Portanto, isso pode derivar de acordo com as interpretações, mas um trecho específico parece mostrar qual é a real disso tudo: "Eu sou o anjo do inferno que chegou pra lhe buscar / Vim de longe, vim duma metamorfose / Numa nuvem de poeira que pintou pra lhe pegar". Muito tenso.
Como já foi dito aqui, o CD não tem nada de genial, nem mesmo uma canção que te faça cantarolar por horas a fio. Talvez por isso tenha vendido, segundo dados não-oficiais, cerca de 40 mil cópias, o que era igual a nada na era pré-mp3. Não sei ao certo o que aconteceu com as unidades não vendidas (há quem diga que elas foram enterradas em um deserto no Novo México, EUA), mas é bem provável que as poucas que foram adquiridas possam valer ouro no mercado negro. Ou isso, ou os compradores já se livraram de seus exemplares há bastante tempo.
Edit: Clique aqui para baixar o álbum completo.
*Descobri agora que essa música na verdade é do Raul Seixas.
29 de março de 2009
Começo de temporada.
"2009 é um ano de mudanças na F1", e essa frase é mais rodada que o peão do baú da felicidade. Na minha modesta opinião, essa é a maior balela. As coisas continuam iguais fora das pistas, com a mesma disputa política intensa entre FIA, FOM e FOTA, cujos interesses, quando afunilados, são os mesmos: Tornar a categoria rentável e ganhar dinheiro com ela.
Nas pistas também não há diferenças. O piloto tem um papel secundário na corrida. Quem ganha corridas hoje são os projetistas e construtores dos carros. Prova disso foi a corrida da Austrália, terminada a poucos instantes.
Largando em primeiro, Jenson Button teve o trabalho de não bater em ninguém na primeira curva e terminar a corrida tão sossegado quanto começou. Rubinho, que largou em segundo, espelhou o sentimento de todo brasileiro atento à Rede Globo: Sono! Cochilou, perdeu a largada e foi correr atrás do prejuízo. O Rubinho, na verdade, é a principal evidência do que lhes disse sobre ganhar corridas. Mesmo com um desempenho horrível, bastou um pouco de sorte para que, ao final de 58 longas voltas, ele terminasse a corrida no mesmo lugar que começou. É verdade que muito se deve ao erro de Kubica ao tentar ultrapassar Vettel à três voltas do fim, tirando ambos da corrida. Mas se analisarmos os últimos campeões da competição, alguém ousaria dizer quem é o melhor piloto entre Alonso, Hamilton, Raikkonem ou Massa? Todos, é claro, são muito bons pilotos, mas nenhum deles possui uma característica de pilotagem única e autêntica que o tenha levado ao título. Havia, sim, um carro superior.
Talvez o apelo da Fórmula 1 tenha mudado agora pois as equipes com melhores carros agora são outras. Enquanto estiverem proibidos os testes, ter mais ou menos dinheiro para pesquisa e desenvolvimento pode não valer nada. Acredito que será muito difícil ver este ano o que se viu na Ferrari dos últimos anos, com começos irregulares e supremacia entre construtores ao final. BrawnGP, Toyota, Williams e Sauber estão com uma chance de ouro nas mãos para finalmente peitar Ferrari e McLaren. A Renault parece ser a Williams de alguns anos atrás, quando entrou em declínio, e eu não apostaria minhas fichas nela.
Sempre achei uma grande babaquice ver alguém torcer por uma escuderia, como muitos fanáticos fazem. Na minha cabeça a competição na F1 sempre teve um sentido patriótico voltado para o piloto, e não equipe. Mas acho que é hora de repensar isso. Se algum brasileiro ganhar o campeonato este ano, com certeza se deverá mais ao carro que ele guia do que sua habilidade.
No mais, a tal expectativa que se cria com o começo da temporada, como disse no começo do texto, é um pouco exagerada. Pouca coisa mudou ou vai mudar na F1. Talvez a grande mudança deste ano foi a temporada não ter começado com a transmissão do Galvão Bueno. Mas quem quiser acompanhar o mundo da velocidade este ano vai contar com os mesmos de sempre: Galvão, Reginaldo Leme, Luciano Burti e Lito Cavalcanti no Sportv, com um ou dois pitacos do Rei, Claudio Carsughi.
Olhando daqui, ficar acordado pra ver a primeira já foi até demais.
24 de março de 2009
Clássico é clássico
Só para ficar no campo da exemplificação, o caso do Brasileirão é totalmente diferente, já que cada ponto disputado vale ouro. Um jogo contra o Ipatinga, dependendo das circunstâncias, pode se tornar uma grande decisão. Uma bizarrice típica do futebol, impossível de se explicar para não-iniciados.
Mas a questão não é essa. O fato é que na última semana todo mundo queria ver Corinthians e Santos, principalmente quando se contava com os dois jogadores mais hypes do ano, aliado a uma treta insana entre dirigentes dos dois clubes com relação ao percentual de ingressos para o visitante, coisa que já tinha rolado outrora com o mesmo timealvinegro paulista -só que ao contrário.
A peleja começou tensa, como era de se esperar tratando de um clássico. Tudo indicava que, uma hora ou outra, as coisas seriam resolvidas na mais pura porradaria. Entradas violentas já soavam tão civilizadas quanto um aperto de mão. Um volante corintiano resolveu cumprimentar o jovem Neymar ao estilo Al Capone, com um amistoso tapa na cara, mas o juizão não entendeu e resolveu dar falta.
Quando o jogo ficava morno, Douglas jogou a bola na área e pensou: "Seja o que Deus quiser". Por sorte, Dentinho testou a bola e Fábio Costa nem ousou mexer um músculo.
Com um gol a menos no placar, Santos decidiu ir para cima, como manda a mais elementar das leis do futebol. O problema é quando se precisa trocar mais de três passes seguidos do meio campo para frente. Aí, as coisas complicam. Já o adversário da capital tentava a sorte, sem sucesso, com constantes chuveirinhos na área. Era lamentável o desperdício. E isso só esfriou as coisas.
Ronaldo, um dos mais endinheirados jogadores em campo, aparentava estar perdido, tanto que me fez lembrar de Alex Rondón, aquele atacante do São Paulo que costumava sumir no meio do jogo e que, quando menos se esperava, já tinha saído do clube (lembro que isso aconteceu algumas vezes naquela temporada). Porém, meia hora depois que o jogo havia começado, Ronaldo retornou ao seu estado típico, recebeu a bola na área e chutou rente à trave esquerda, mas seu abdômen estava em posição de impedimento.
Depois disso, a torcida voltou a tirar uma pestana. Nada demais aconteceu até que, aos 40 minutos, Neymar, que também havia tomado uns goles de chá de sumiço, fez que nem o Oliver Tsubasa: olhou, pensou, limpou e chutou forte. Porém, o goleiro espalmou. O barato estava com gostinho de reação pois, logo em seguida, Lúcio Flávio passou todo torto para a área, Roni cortou na base do carrinho com elegância e Kléber Pereira arrematou com força, mas em cima de Felipe. Para piorar, o bandeirola assinalou o impedimento e o juizão aproveitou para soprar o apito de fim de etapa.
Após o primeiro tempo, a emoção foi zero. A exceção foi o final, digno de uma tragicomédia, quando o árbitro fanfarrão resolveu reverter um lateral para o Santos, depois desreverteu e ainda deu um minuto de acréscimo para o Corinthians fazer gol sem goleiro. Haja coração.
E para terminar, a tão esperada treta rolou pra valer, mas não em campo. Lá na área VIP, Marcelo Teixeira, o Corleone da Baixada, foi trocar insultos com torcedores rivais, num belo exemplo de fair play. Em retribuição, os corintianos deram chutes e pontapés ao estilo Chong Li na cúpula da famiglia. Do outro lado do estádio, uma confusão entre os próprios santistas foi o suficiente para a polícia desser o sarrafo na galera. O código entre eles era "senta a borracha no cara de preto e branco" e a coisa facilmente degringolou. De repente, um batalhão policial surgiu do nada e a situação foi dominada.
C'est la vie. Tomar porrada em clássico é como pegar congestionamento em dia de chuva em São Paulo. É só relaxar e pensar: carpe diem.
14 de fevereiro de 2009
O lance dos ingressos
Antes de mais nada, foda-se a nova regra ortográfica, e uma salva de palmas para o meu mau-humor, com hífen e a puta que o pariu.
Aqueles textos diplomáticos e corretos deixaram o BcF aporrinhador. O que estava faltando era apimentar a discussão com o bom e velho futebol. Parecia déjà-vu, mas aconteceu de verdade. Há não muitas postagens atrás eu falava da distribuição de ingressos em cotas, e cedo ou tarde as palavras te alcançam. Tudo o que leio a respeito sobre o clássico do dia 15 é sobre os malditos ingressos.
Todos já sabem a história. Antes todos os clássicos eram no Morumbi, o mando de campo era da Federação Paulista, que ficava com parte significante da arrecadação, depois dividida entre os dois times, e o que se via na arquibancada eram duas torcidas em um estádio dividido de forma igualitária. Eu sempre achei isso uma palhaçada. Eu que já fui em clássicos sem poder usar a camisa do meu time citaria Galvão e diria que “a física não permite” duas torcidas grandes em grandes números dentro do estádio.
A Federação escolheu ainda ano passado onde seriam disputados os jogos. A decisão do São Paulo em não ceder a carga costumeira de entradas se deve a inúmeras parcerias que o time tem feito e ações promocionais, como a venda do pacote para a primeira fase da Libertadores com o jogo de domingo de brinde, mas, logicamente, tem a ver com provocar o rival. Nos últimos anos os títulos somados à história deram essa característica arrogante ao torcedor e diretoria tricolor. É uma arrogância conquistada dentro de campo. Um direito que se põe em prática, resumidamente.
O destaque dessa história na mídia revolta. Na TV a cabo o São Paulo está certo. Na TV aberta está errado, e é uma afronta à nação corintiana. Esse é o tipo de coisa que se ouve na Gazeta, que apelou de vez para as massas (Vide a matéria em que chamam Kenny G de rapper, e não vou colocar o link porque sinto que os leitores querem tudo de bandeja e estão mal-acostumados). Na Globo, a transmissão do jogo começará com o narrador ou o repórter de campo explicando o desenrolar da história (“Antes do jogo houve a polêmica...” querem apostar?). Mas foi um baque tão grande assim? Para ser repercutido horas depois que o jogo acabar nas mesas redondas da vida, como indubitavelmente acontecerá?
Acho que a notícia é impactante porque o corintiano não faz a mínima idéia do que é ter um estádio. “Honestamente, nunca gerimos um estádio. Nem sabíamos que isso podia ser feito”. Mas o dono da casa escolhe a visita. Aí o Mano, muito malandro, diz que em qualquer estádio que jogar a torcida vai lotar. Então arrumem uma porra de um estádio próprio. Os caras pedem pra ser sacaneados...
10 de abril de 2008
Uma questão de planejamento
Fiquei pensando no meu clube do coração. Depois de chegar às semifinais do Paulistão e estar com meio pé na classificação do Grupo 7 da Libertadores da América não consegui lembrar de um jogo sequer que o São Paulo tenha jogado bem, ou convincentemente. Não nego que o aproveitamento do time seja bom na temporada, mas já não é mais um time que me transmita alguma confiança.
Aficionado por futebol como sou, comecei a pensar em muitos esquemas táticos que poderiam ser implantados no tricolor, e descobri que o problema definitivamente não é tático, mas sim uma questão de planejamento. Hoje é complicado não pensar que a estratégia do departamento de futebol do clube tenha sido amadora este ano. E digo departamento de futebol com clareza, porque em todas as outras áreas o São Paulo continua sendo o melhor (Vide o fiasco que foi a estratégia do torcedor roxo corintiano que o clube da Fazendinha utilizou para vender camisas, como se já não bastasse o ridículo “nunca vou te abandonar mesmo que você jogue de terça e sexta porque eu te amo”).
Mas vamos voltar à primeira divisão. Encaremos a situação analogamente. Compare o time formado hoje pelo tricampeão mundial com um time que você, saudosista leitor, tenha montado no nostálgico Elias Football II (a.k.a. Elifoot II), aquele que ainda rodava no DOS mesmo.
O pentacampeão brasileiro abriu os cofres (abarrotado de verdinhas, por conseqüência da venda de bons jogadores) para bancar os salários de uma fortíssima contratação, praticamente um jogador nível 45. Não falo de outro senão o Adriano, atacante bom, canhoto, bem-adaptado ao esquema 3-5-2, mete gol, e tem um comportamento que pode variar entre Cavalheiro e Caceteiro, dificilmente chegando no Sarrafeiro.
A diferença é que no Elifoot a estratégia funciona, porque você está jogando na quarta divisão e o nível 45 faz uns 4 gols por jogo, e mesmo que seu plantel seja de 11 jogadores, o craque sempre resolve. O São Paulo está com 19, sem um craque constante e com poucas ótimas atuações. Não creio que este vá ser um ano glorioso para o Tricolor, mesmo que o seu Juvêncio tenha comentado sobre contratações de peso para fortalecer o selecionado.
Enquanto isso, entretanto, qualquer vacilo do Muricy pode lhe render, injustamente, um aviso na porta do vestiário: “Pegue suas trouxas e vá se foder”.
Obs. 1 - "Pegue suas trouxas e vá se foder" é um jargão utilizado pelos dirigentes virtuais do Elifoot II para mandar um técnico para o olho da rua.
Obs. 2 - No começo da semana a Federação Paulista de Futebol, o Ministério Público e a própria PM preferiam que o jogo de volta da semifinal do Paulista não ocorresse no Palestra Itália. Três dias depois a PM garantiu a segurança do torcedor. Será que, como disse o Pedro Henrique Bueno de Toledo, colunista do São Paulo no Lance!, isso faz parte do "Projeto Traffic"?
Obs. 3 - Sou a favor da distribuição de números iguais de ingressos para torcidas adversárias, e não porcentagens. Se é pra ser justo, vamos começar pela justiça com o próprio torcedor. A merda no estádio da porcada é ver o jogo da linha lateral depois da linha de fundo.
22 de dezembro de 2007
Universo alternativo
Mais alternativo que isso impossível.
Com destaque para os jogadores Cabecinha e Maloca, independente da habilidade futebolística e do time que jogam.
Comentário: isso corrobora a tese de que o fim de ano é uma época de surgimento de buracos-negros na televisão brasileira.
Update:
Romário está fazendo escola. Batata, jogador e técnico do Xavantes, entrou em campo com dez minutos para o término da peleja. O time de nome indígena ganhou do time de nome italiano por 2 a 0.
12 de julho de 2007
O que com fanta?
Americanos consomem 400 mil quilos/ano deste inebriante e psicodélico remédio. Mas isto é só um fato escroto. Não poderíamos nos lixar menos. Neste ciberespaço só queremos escrever textos.
O nome Barbitúrico com Fanta provém da interessante probabilidade de os contribuidores estarem sob seu efeito enquanto escrevem, ou de que os leitores leiam sob efeito dele ou ainda de que o blog em si seja um substituto à altura em se tratando da alteração da percepção da realidade.
Os hereges usam a Fanta sabor Uva-Light para atingir um grau muito superior de reações psicóticas. Nós puristas utilizamos como agente ativo a Fanta Laranja, porque o gosto é melhor.
Se o blog não atingir os efeitos desejados, indicamos ácido pantotênico e 2 gramas de inositol. Se o blog tiver efeito contrário ao proposto e você leitor começar a sofrer de insônia, a solução pode ser encontrada na colina, vitaminas B1, B6 e B12, niacina, cálcio, magnésio, zinco e L-triptofano.
Caso você esteja realmente considerando seguir nossas recomendações, parabéns!
Você já está sob efeito do Barbitúrico com Fanta.
Este blog segue políticas carbon-free através do plantio de árvores via ClickArvore!
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
